Conjuntura

‘Não há Inocentes’: conjuntura latino-americana e a volta dos que não foram – Número 147 – 05/2017 – [48-54]

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“Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. Na saga, o protagonista Mikael Blomkvist é um jornalista dedicado a investigar uma série de escândalos de corrupção envolvendo autoridades respeitáveis de seu país: a Suécia. Sim, parece que  escândalos desse gênero acontecem mesmo onde o Estado Social de Direito atingiu seu esplendor. Conforme vai acompanhando as investigações de Blomkvist, o leitor é levado a concluir que a diferença entre inocentes e culpados, pode ser colocada em uma escala, na qual os extremos importam menos do que as gradações. Continue Lendo

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O Fim da Era das Democracias na América – Número 146 – 04/2017 – [32-47]

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Situações políticas dramáticas nos impõem custos emocionais e sociais, todavia, não que isto seja um consolo, também oferecem oportunidades para que a ciência política e outras áreas humanas repensem e calibrem seus modelos e parâmetros analíticos. O fim da era das democracias na América Latina propicia uma reflexão sobre as classificações dos regimes, a categorização ou não como democracia, e sobre como se classificar aquilo que não é democrático. A análise de conjuntura da sucessão de golpes e degradação da democracia no continente será feita aqui de modo a discutir, também, o método, os critérios e os conceitos, com o intuito de colaborar para que a ciência política lide com esta conjuntura de modo mais rigoroso. Continue Lendo

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A Insistência do Confinamento Racial na Academia Brasileira: um breve ensaio sobre a universidade no contexto pós-ações afirmativas – Número 145 – 04/2017 – [27-31]

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Logo nas primeiras cenas do fundamental documentário I Am Not Your Negro (2017), dirigido por Raoul Peck, vemos o entrevistador Dick Cavett perguntar a James Baldwin se o negro norte americano ainda não está satisfeito diante de todas as supostas conquistas advindas das lutas pelos direitos civis nos Estados Unidos. Em um tom que transparece genuína surpresa e curiosidade, Cavett indaga: “Por que os negros… Por que eles não estão otimistas? (…) Eles então melhorando tanto, quero dizer, há prefeitos negros, há negros em todos os esportes, há negros na política” (tradução livre). Continue Lendo

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Despindo as Fantasias da ‘terra que a todos seduz’ – Número 144 – 03/2017 – [23-26]

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Rio de Janeiro é um clichê global poderoso que está em xeque. A cidade rebelou-se contra seu retrato. (…) O Rio atravessa um momento doloroso e fecundo de perigo e reinvenção. A estação de fúrias e tempestades não anula o mar, o sol, o esplendor da Mata Atlântica e a dança infinita, mas estilhaça ilusões e incinera a pachorra pusilânime dos cartões postais (Soares, 2015, p.1).

Com este trecho Luiz Eduardo Soares inicia seu capítulo introdutório de “Rio: Histórias de Vida e de Morte”, publicado pela Companhia das Letras em 2015. Através de uma linguagem direta o autor nos cativa a adentrar com particular interesse nos nove contos por ele ofertados, nos quais mescla sua trajetória de vida pessoal com a política brasileira, principalmente a fluminense. Compõe, entre os relatos, um olhar ora de espectador, ora de ator político dos acontecimentos. Esta construção harmônica atrai o leitor e o faz de imediato simpatizar com a interpretação do mundo cotidiano de Luiz Eduardo, revelado pela ótica tanto do ex-secretário nacional de segurança, quanto pelos olhos deste ainda guri, advindo de família conservadora nos aterradores anos 1960. Continue Lendo

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Transição presidencial ou transgressão institucional? A crise valorativa e o nexo entre elites políticas e empresariais brasileiras – Número 143 – 02/2017 – [15-22]

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A ascensão do Partido dos Trabalhadores ao poder, em 2003, se deu em um contexto regional assinalado pela emergência de uma nova correlação de forças, marcada pela falência do formato anterior que se caracterizava pela aquiescência às teses neoliberais. Essa transição, portanto, diz respeito não apenas à ascensão de uma nova elite política, mas, sobretudo, à representação prioritária dos interesses de uma parcela da população, as classes populares, em detrimento de outra, as elites econômicas. Em outros termos, da prioridade da justiça social sobre a rentabilidade dos investimentos. Continue Lendo

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Democracia e Justiça: sobre pedaladas e pedalinhos – Número 141 – 12/2015 – [105-114]

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Para Patrick Burglin, in memoriam

Importantes interpretações da origem e conformação do pensamento político ocidental identificam em Platão dois marcos fundamentais que diferenciavam sua posição diante do universo político que o rodeava. Com ele, a invenção da filosofia política se punha contrária à polis e, como seu sustentáculo, desenvolvia um conceito sistemático de justiça. A crítica a um sistema pautado na atividade e não na razão coloca a existência da política em xeque na medida em que o governante, e o critério para se governar, é aquele que sabe, tal qual o médico sabe como cuidar da doença. Assim, desse ponto de vista, a teoria da justiça é a primeira e até hoje mais robusta formulação contrária à política enquanto atividade humana, inventada por humanos para os humanos como convívio sustentado no diálogo e no conflito não violento. A boa ordem, a ordem justa por excelência, só é capaz de se impor em uma cidade quando governada por uma aristocracia treinada, justamente o que falta ao governo democrático (ARENDT, 1998; WOLIN, 2004). Continue Lendo

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Como Morre a Democracia – Número 140 – 12/2015 – [97-104]

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Uma característica das instituições democráticas é a de que elas dão alguma dose de previsibilidade ao sistema político, de modo que os diferentes atores em disputa podem mais facilmente antecipar as ações dos demais. Uma ilustração das vantagens disso talvez seja a defesa que o socialista Karl Kautsky (1964) fez da opção democrática: “Quando as pessoas são despertadas para a ação em uma democracia, há menos risco do que sob o despotismo de que pensamentos e aspirações revolucionários sejam prematuramente provocados, ou que elas desperdicem sua energia em esforços fúteis. Quando a vitória é alcançada, ela não é perdida, mas mantida. E isso é melhor no fim do que a mera excitação palpitante de um novo drama revolucionário.” Continue Lendo

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O refluxo da Maré Rosa e o impasse do chavismo na Venezuela – Número 138 – 10/2015 – [81-87]

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Contrariando as previsões amplamente veiculadas na mídia nacional e internacional, que alertavam sobre movimentações golpistas na caserna chavista, minutos após o lançamento dos primeiros resultados por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o presidente venezuelano Nicolás Maduro veio a publico reconhecer a derrota do governo nas eleições legislativas, realizadas em 06 de dezembro. Os resultados foram acachapantes, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) obteve 65,27% dos votos, enquanto o Gran Polo Patriótico (GPP)[1], aliança de partidos criada para apoiar a Revolução Bolivariana, logrou apenas 32,93%. Os números garantem à MUD a maioria qualificada, necessária para a aprovação de mudanças constitucionais e de um referendo revogatório que poderia permitir o afastamento do atual presidente da República[2]. Continue Lendo

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O caso da visita dos senadores – Número 136 – 08/2015 – [64-70]

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Ao longo da última década do século XX, na América Latina, a adesão à proposta neoliberal de redução dos gastos públicos, se traduziu, no despontar do século XXI, em uma conjuntura de grave crise econômica e política[1]. Nesse contexto, a vitória eleitoral de partidos de esquerda em vários países sul-americanos[2]– sobretudo Argentina (2003), Bolívia (2005), e Equador (2006) – fez surgir a percepção de que o proceso de cambio seria exportado para outros países da região. Aos olhos das elites econômicas sul-americanas, isso representava uma possível ameaça aos fluxos de capitais financeiros na região, tendo em vista uma conjuntura política instável e radicalizada, passível de afugentar investidores internacionais. Continue Lendo

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