Julho

No Tempo Dividido, 1954 [ Novíssimos, 2016 ] – Número 153 – 07/2017 – [76-82]

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[ Catálogo ]

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Nesta nova edição do Salão de Artes Visuais Novíssimos da Galeria IBEU, o curador Cesar Kiraly se vale dos 13 livros da poetisa portuguesa Sophia de Mello Breyner Andresen para dispor as obras dos 12 artistas escolhidos. As obras são percebidas como internas à melancolia do tempo circunscrito, aquela dentro da qual o tempo pode ser percebido passando. Para isso, cada artista recebe uma obra da autora, com seu respectivo ano. Por exemplo: Amanda Copstein / O Nome das Coisas, 1977 ou Vera Bernardes / Mar Novo, 1958. A intenção é permitir que a bruma do livro envolva o trabalho ao mesmo tempo em que esse se mostre coerente com os nomes implicados na fabricação poética. O décimo terceiro livro, O Nome das Coisas, 1954 foi escolhido como aquele que conduz a lógica dos encontros entre livros e artistas e nomeia a coletiva.

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No Tempo Dividido, 1954

O que eu queria dizer-te nesta tarde
Nada tem de comum com as gaivotas. [ p. 278. ]

Não se pode expulsar o acidente. Não completamente. Daí os ânimos diversos para lidar com ele. Não se pode estabilizar o ânimo. Isso nos leva à oscilação diante do acaso. A vida, de modo intermitente, põe-nos a negar ou aceitar. Por que não se pode controlar a chance? A resposta remete ao tempo. O tempo, porque aparentemente não volta, impõe-nos o imprevisto. Pelo simples fato de se mover e não revelar os detalhes da variação, o tempo nos surpreende. As surpresas, principalmente pelo estado do ânimo, são de intensidades diferentes. O resultado mais explícito é que sob a passagem do tempo as coisas mudam de lugar. Nada é idêntico ao instante anterior. A sensação de estabilidade é obtida pela reposição dos objetos no lugar em que estavam. Porque não se pode reverter o acidente, o futuro não pode ser igual ao presente ou ao passado. Continue Lendo

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O lugar da perda e da regulação em Hobbes e Freud – Número 152 – 07/2017 – [68-75]

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Hobbes (1588-1679) e Freud (1856-1939) são homens de épocas e contextos completamente distintos. Hobbes escreve em uma Inglaterra assolada pela guerra civil-religiosa, conflito que evidencia a fragilidade do poder do rei. É a partir desse conflito que o filósofo inglês lança um olhar para a condição humana e a partir dela, propõe um modelo de soberania absoluto e indivisível. Freud, por sua vez, escreve em um momento que transita da grande crença no progresso e na ciência a uma grande distopia e ceticismo com a primeira guerra mundial. Para além da distância histórica, é importante demarcar a própria diferença de campos de saber e linguagem entre os dois autores. Hobbes é um pensador inglês que se propõe a formular uma outra forma de soberania e poder; uma forma que assegure menos conflitos e encontros violentos entre os homens. Freud não apresenta uma preocupação explícita com o fenômeno do poder e da política; contudo, ao se aproximar daquilo que os sujeitos anunciam, seja pela fala, pelos sonhos, ou por sintomas que a medicina tradicional falhava em dar conta, ele constrói uma forma de pensar os laços, as relações humanas e o domínio das regulações e da lei. Continue Lendo

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Bandido bom é bandido morto? – Número 151 – 07/2017 – [65-67]

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Dividir o mundo entre nós e os inimigos gera medo e justifica agressão e guerra. Essas guerras impedem o desenvolvimento da democracia. Os cineastas podem usar suas câmeras para mostrar qualidades humanas, romper estereótipos e criar empatia. Nós precisamos hoje de empatia mais do que nunca.

Asghar Farhadi, na entrega do Oscar 2017

A pesquisa Olho por olho? do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania trouxe números reveladores, e algumas vezes alarmantes sobre questões concernentes a Segurança Pública no estado do Rio de Janeiro. De acordo com dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública a polícia no Brasil matou em 2015 3.320 pessoas, uma média de 9 por dia. Esse índice pode representar apenas um reflexo que a polícia tem de uma população que apoia práticas cada vez mais punitivas e comumente usam bordões como: “bandido bom é bandido morto”, ou, “direitos humanos para humanos direitos”. Esse pensamento justiceiro permeia a mente de muitos brasileiros, fazendo inclusive com que estes aceitem práticas violentas de autoridades policiais ou não. Continue Lendo

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