Bruna Frascolla Bloise

Da Liberdade da Imprensa – Número 168 – 10/2018 – [72-74]

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1. Nada é mais capaz de surpreender os estrangeiros do que a extrema liberdade de que desfrutamos neste país para comunicar ao público o que nos aprouver e para censurar abertamente qualquer medida introduzida pelo rei ou por seus ministros. Se a administração decide pela guerra, afirma-se que, de propósito ou por ignorância, incompreende os interesses da nação, e que a paz, na presente situação dos negócios, é infinitamente preferível. Se a inclinação dos ministros se volta para a paz, nossos escritores políticos nada inspiram além de guerra e devastação, e representam a conduta pacífica do governo como ruim e pusilânime. Como tal liberdade não é indulgenciada em nenhum outro governo, quer republicano, quer monárquico (em HOLANDA e VENEZA mais do que em França ou ESPANHA), isto pode mui naturalmente dar ocasião à pergunta: Por que acontece de apenas a GRÃ-BRETANHA desfrutar desse privilégio peculiar? Continue Lendo

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Da Obediência Passiva – Número 166 – 08/2018 – [65-67]

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Tradução de Bruna Frascolla Bloise

1. No último ensaio, tentamos refutar os sistemas especulativos de política introduzidos nesta nação; tanto o sistema religioso de um partido quanto o filosófico do outro. Vamos agora examinar as consequências práticas deduzidas por cada partido quanto às medidas da submissão devidas a soberanos. Continue Lendo

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Da Escrita de Ensaios – Número 164 – 06/2018 – [59-61]

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Tradução de Bruna Frascolla Bloise

1. A parte elegante da humanidade, que não está imersa na vida animal e se emprega nas operações da mente, pode ser dividida entre os estudados e os conversadores. Os estudados são os que escolheram para seu quinhão as mais elevadas e difíceis operações da mente, o que requer vagar e solidão, e não se pode levar à perfeição sem longo preparo e trabalho severo. O mundo conversador alia a certa disposição social e a certo gosto pelo prazer uma inclinação pelos mais fáceis e suaves exercícios do entendimento, pelas reflexões óbvias acerca dos assuntos humanos e dos deveres da vida comum, e pela observação das falhas e perfeições dos objetos particulares que o rodeia. Tais objetos de pensamento jamais fornecem emprego suficiente na solidão, senão requerem a companhia e a conversa das nossas criaturas irmãs para torná-los um exercício adequado para a mente: e isto une a humanidade em sociedade, onde cada um expõe os próprios pensamentos e observações da melhor maneira que conseguir, e mutuamente dá e recebe informações, bem como prazer. Continue Lendo

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The Philosophy by the Foot of the Letter – Número 157 – 11/2017 – [116-118]

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Todos podemos pegar as traduções de Millôr Fernandes em The Cow Went To The Swamp e enxergar-lhes o efeito cômico: são ao pé da letra do português para o inglês. No entanto, a julgar por algumas notas e introduções de tradutores acadêmicos lusófonos, a comicidade se só se dá em mão única, e o português tem de aceitar as construções mais artificiais e menos inteligíveis em nome da literalidade. Veja-se que, no Tratado da natureza humana, a frase “Tudo o que é produzido sem causa é produzido por nada” (p. 109) tem uma nota de rodapé aonde lemos que “a frase gramaticalmente correta em português seria ‘Tudo o que é produzido sem causa não é produzido por nada’, mas isso deixaria sem sentido o raciocínio de Hume.” Ora, a ninguém que conheça português pareceria sem sentido o raciocínio de Hume por haver uma dupla negação com sentido de negação. Podemos dizer que não tem nenhum sentido a explicação da tradutora, e ninguém há de depreender dessa nossa dupla negativa que a afirmação tenha algum sentido. Mas o mais preocupante é a noção de que não se pode ser gramatical e filosoficamente correto em português. Como se nossa flor do Lácio fosse tão estranha à philosophia prima e à scientia causarum quanto o chinês ou o basco. Continue Lendo

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O Reuni e a Disparada da Evasão na UFBa – Número 155 – 09/2017 – [96-103]

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Há dez anos, em agosto de 2007, o governo Lula apresentou as diretrizes do Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais, o Reuni. O ministro da Educação era o cientista político Fernando Haddad, e consta nas diretrizes como membro do grupo assessor um nome conhecido na sociedade baiana: Naomar Monteiro de Almeida Filho, professor de saúde coletiva e então reitor da Universidade Federal da Bahia. Continue Lendo

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