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Os ‘achismos’ de Joaquim Barbosa, à luz da ciência política – Número 101 – 06/2013 – [86-92]

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O presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa, assumiu, há algum tempo, posição de destaque na vida política nacional. É um dos protagonistas do crescente processo de judicialização da política no país, que compreende, entre outros efeitos, a cada vez mais recorrente e generalizada intervenção do STF nos demais Poderes. Muito já se criticou sua superexposição midiática e também é alvo de queixas o modo desrespeitoso com que confronta seus colegas do Supremo. Trajado com a fantasia de paladino da moralidade e algoz de políticos governistas, tornou-se ídolo da grande imprensa e de boa parte da classe média e alta conservadora, sendo apontado, inclusive, como o seu presidenciável dos sonhos. Continue Lendo

João Cabral de Melo Neto. O Lápis, o Esquadro, o Desenho, um Projeto – Número 100 – 05/2013 – [82-85]

J

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O lápis, o esquadro, o papel;
o desenho, o projeto, o número:
o engenheiro pensa o mundo justo,
mundo que nenhum véu encobre.

(João Cabral de Melo Neto, O engenheiro)

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Três características costumam ser atribuídas à obra de João Cabral de Melo Neto, poeta pernambucano nascido em 1920: a secura, a dobra da palavra e o lirismo contido, esta como um desdobramento daquela primeira. Isso porque o elemento que corta toda sua produção poética não é outro senão a pedra; a pedra em seu estágio pétreo. Citemos dois marcos, Pedra sono (1942), livro de estreia, e A educação pela pedra (1966), como exemplos, em que o substantivo apresenta-se já prenhe de sentidos aos olhos do leitor ainda no título da obra. A pedra é o elemento na construção arquitetônica de João, uma construção devidamente medida, esquadrinhada, na sua secura, na sua dobra, no seu estado condensado. A pedra é a palavra, também seca, dobrada, condensada, um instrumento de corte, a peça ajustada de uma máquina chamada linguagem. Continue Lendo

IV Encontro Hume

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Chamada para Trabalhos

A Comissão Organizadora do IV Encontro Hume convida os alunos de pós-graduação e pesquisadores da filosofia de Hume à submissão de trabalhos. O encontro será realizado entre os dias 03, 04 e 05 de setembro de 2013 no campus da Universidade Estadual de Londrina (UEL), em Londrina/Pr. Os interessados deverão submeter um resumo de até 500 palavras em arquivo Word ou similar (fonte Arial, tamanho 12, espaço 1,5) para o e-mail: encontros.hume@hotmail.com O título e o resumo deverão constar em página separada, com a devida identificação do problema e as linhas gerais do argumento que se pretende desenvolver. Na primeira página deverão constar os seguintes dados do proponente:

Nome completo;
Endereço eletrônico;
Endereço e telefone;
Título do trabalho;
Instituição de origem e titulação;

Realizar a inscrição no sítio http://www.uel.br/eventos/insc/?id=692 bem como o pagamento da taxa de inscrição (R$ 20,00).

A data limite para o envio dos resumos é 15 de julho de 2013 e o resultado será divulgado juntamente com a programação completa do evento no dia 10 de agosto do corrente ano. A notificação sobre a aceitação de cada trabalho será enviada exclusivamente por e-mail a partir do dia 25 de julho de 2013. A aceitação do resumo possibilita ao proponente a apresentação oral de comunicação na data do evento, conforme programação a ser divulgada. O tempo para cada comunicação será de 20 min, com 10 min, para a discussão do trabalho. Após a realização do evento, haverá entrega de certificado para os apresentadores de comunicação e ouvintes devidamente inscritos.

COMISSÃO ORGANIZADORA
Andre Luiz Olivier da Silva (Unisinos)
Andrea Cachel (IFPR/Unicamp)
Andrea Faggion (UEL)
Franco Nero Soares (UFRGS)
José Oscar de Almeida Marques (Unicamp)
Marília Côrtes de Ferraz (UEL/Unicamp)

A Natureza Descritiva da Ciência da Política: elementos de metafísica cética – Número 98 – 05/2013 – [55-81]

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Corações cruéis e inflexíveis, os desses irmãos. Mas debaixo da dura pedra, emanava o perfume de um sentimento moral muito delicado. […] Eu creio, portanto, poder afirmar que a moralidade independe do dogma e da legislação, ela é inteiramente um produto do saudável sentimento humano, e a moralidade verdadeira, a razão do coração, irá perdurar eternamente, mesmo que o Estado e a Igreja venham abaixo.

Heinrich Heine
Cartas de Helgoland, escrita em 18 de Julho

Este ensaio apresenta um esforço de ontologia política, dentro do qual busco estabelecer argumentos, motivados por leituras de clássicos do pensamento político, que levem ao encontro do que poderia ser denominado de fundações da ciência da política. O argumento é que a determinação da experiência da política, a relação entre a liberdade e a servidão e a lida intelectual com os princípios políticos constituem as fundações da ciência da política. Nesse sentido, propus, de modo geral, e não segundo leitura historiográfica, encontrar tais fundações em três pensadores diferentes, a experiência da política, julguei poder determiná-la em Maquiavel, a relação entre liberdade e servidão, pensei ser Spinoza o pensador que melhor a percebe e ensaiei que em Hume, com o texto Que a Política pode ser Reduzida numa Ciência, teríamos a chave para a cognição dos princípios políticos. Dessa forma, a descritividade em política concerniria ao trabalho intelectual sobre essas três fundações, e, ao contrário da descrição de regularidade, como defendeu Isaiah Berlin em ensaio clássico, apresentei a descrição da pictorialidade, fundada na relação entre forma, crenças e regras. Continue Lendo

With all the Colors of Eloquence: understanding, sympathy, and sentiments in Hume´s Treatise – Número 97 – 05/2013 – [47-54]

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The search for universal axioms seems to be a role played by almost all philosophers. Reading them, or listening to a loud discussion, we might question ourselves: What if we could touch the reality at the same time? We probably would not have many of those disagreements that entertain some skeptical thinkers. The inventions made by humans are fascinating; at least for those kinds of spectator that seem to be mesmerized while witnessing the fights and disputes for the truth. Such kind of event seems to be always marked by the pleasant reflections we make after contemplating understanding machines at work. Human minds in action, making an effort at every second to stay coherent, trying to appease solipsistic fights between passions and purposes in order to demonstrate the universal truth that resides inside of each one´s mind. Everyone who believes in possessing a universal truth must agree that the perfect place for it is not in his mind. Continue Lendo

O Cerco de José Saramago: entre a história e a literatura – Número 96 – 04/2013 – [36-46]

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(A Jangada de Pedra, 1986)

Enquanto puxa para si Joana Carda, que se queixa de frio, José Anaiço tenta não adormecer, quer reflectir na sua ideia, se a história é realmente invisível, se os visíveis testemunhos da história lhe conferem visibilidade suficiente, se a visibilidade assim relativa da história não passará de uma mera cobertura, como as roupas que o homem invisível vestia, continuando invisível

(História do Cerco de Lisboa, 1989)

É evidente que acabou de tomar uma decisão, e que má foi ela, com a mão firme segura a esferográfica e acrescenta uma palavra à página, uma palavra que o historiador não escreveu, que em nome da verdade histórica não poderia ter escrito nunca, a palavra Não, agora o que o livro passou a dizer é que os cruzados Não auxiliarão os portugueses a conquistar Lisboa, assim está escrito e portanto passou a ser verdade, ainda que diferente, o que chamamos falso prevaleceu sobre o que chamamos verdadeiro, tomou o seu lugar, alguém teria de vir contar a história nova, e como.

(Caim, 2009)

Quando a criança viesse ao mundo seria para toda a gente filho de noah, e se ao princípio não iriam faltar as mais justificadas suspeitas e murmurações, o tempo, esse grande igualador, se encarregaria de limar umas e outras, sem contar que os futuros historiadores tomariam a seu cuidado eliminar da crónica da cidade qualquer alusão a um certo pisador de barro chamado abel, ou caim, ou como diabo fosse seu nome, dúvida esta que, só por si, já seria considerada razão suficiente para o condenar ao esquecimento, em definitiva quarentena, assim supunham eles, no limbo daqueles sucessos que, para tranqüilidade das dinastias, não é conveniente arejar. Este nosso relato, embora não tendo nada de histórico, demonstra a que ponto estavam equivocados ou eram mal-intencionados os ditos historiadores, caim existiu mesmo, fez um filho à mulher de noah, e agora tem um problema para resolver, […] como já sabemos, a história oficial nem sequer irá dedicar uma linha.

Da introdução

A apresentação deste trabalho é uma provocação. Esta, entretanto, bem intencionada. Todas elas pertencem ao escritor português José Saramago, possivelmente um dos autores mais reconhecidos na literatura contemporânea, e estão contidas em livros que compõem sua obra, separados por um período de tempo aproximado de vinte anos. A distância temporal tem o objetivo de demonstrar o quanto questões relativas à história – em especial a dita científica – fazem parte do universo de preocupações de um romancista, tema que de modo geral não os apela tanto quanto reflexões mais abstratas, como a do próprio tempo. Continue Lendo

Cesar Kiraly

Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense.