Hannah Arendt, buscando ferramentas para pensar o totalitarismo, lança mão de uma operação filosófica que tem como corolário a própria preservação das condições de pensamento: a compreensão . De maneira distinta das questões de método, nas quais a adequação ao objeto é o tema fundamental, Arendt procura uma possibilidade de reflexão que resguarde o sujeito do pensamento e a própria atividade de pensar. Em outras palavras, ela está preocupada com o pensamento como atividade vital, dadas as práticas de aniquilação da vida com as quais se confronta. Continue Lendo
A lógica mafiosa e a sua faxina – Número 40 – 11/2011 – [151-153]
A queda do ex-ministro Orlando Silva (Esporte) não tem relevância individual, mas se torna importante por evidenciar um padrão de ocupação do espaço público que funciona dentro de uma lógica mafiosa, afirma o cientista político Renato Lessa, 57.
Para Lessa, professor de teoria política da Universidade Federal Fluminense, o governo de coalizão brasileiro favorece o exercício da política na base da chantagem, e as demissões de ministros não alteram em nada o cenário.
Até porque, diz ele, quem faz a “faxina” não é a presidente Dilma Rousseff, mas a “própria insustentabilidade dessa lógica mafiosa”.
Lessa participou nesta semana do 35ë encontro da Anpocs (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais), em Caxambu (MG), onde conversou com a Folha. Veja abaixo a entrevista. Continue Lendo
Por que o debate da reforma política ainda não começou? – Número 23 – 08/2011 – [87-89]
A recente ascensão dos debates em torno da reforma política carece demasiadamente de explicações de fundo. Não raro se encontram desde jornalistas indignados até partidos políticos exaltando a premente necessidade da reforma. Entre um sem número de sistemas políticos consultados, listas de todos os matizes, distritos de tal ou qual arregimentação, financiamentos diversos não se chega ao tema propriamente. Não é difícil elaborar um sistema político que valorize os partidos, assim como também não o é que faça o mesmo para a representatividade, o verdadeiro desafio se constitui na convergência de ambos. Da mesma maneira ocorre com diversas outras categorias políticas, participação popular e voto facultativo, governabilidade ou pluralismo partidário são exemplos do quão difícil é convergir vontades distintas. Continuar Lendo
Assimetria e solidariedade: um aporte sobre os novos rumos da política externa brasileira – Número 19 – 07/2011 – [70-75]
Em cerimônia ocorrida no Itamaraty como parte das solenidades transcorridas em virtude do Dia Internacional dedicado à celebração do continente africano, comemorado em 25 de maio, o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, aproveitou para consagrar os novos rumos da política exterior brasileira para a região. Continue Lendo
É Dilma quem tem que assumir a coordenação política, entrevista com Renato Lessa – Número 13 – 06/2011 – [39-43]
Uma coalizão formada por tantos diferentes partidos e ideologias, um PT fragmentado e um PMDB poderoso, com o vice-presidente Michel Temer fazendo do Palácio do Jaburu um centro alternativo de poder ao Alvorada são ingredientes que exigem da presidente Dilma Rousseff uma capacidade de articulação política que seu governo não tem demonstrado, independentemente da saída do Antonio Palocci, da Casa Civil. Para o cientista político, Renato Lessa, professor da Universidade Federal Fluminense, a presidente “tem que chamar para si a coordenação política”. Continue Lendo
Jabuticaba institucional – Número 12 – 06/2011 – [36-38]
Há vários experimentos em curso no planeta, nos quais o exercício do governo sustenta-se em amplas coalizões partidárias e parlamentares. A natureza crescentemente fragmentada das sociedades e seus efeitos sobre as escolhas eleitorais assim o determinam. Tomemos o caso de Israel: desde a sua fundação, em 1948, os governos naquele país, para obter o apoio do número mágico de, ao menos, 61 deputados fiéis, em um parlamento composto por 120 membros, sustentam-se em heteróclitas composições partidárias. Continuar Lendo
O Congresso e sua Surdez – Número 10 – 06/2011 – [31-33]
A recente decisão do Supremo Tribunal Federal acerca da união civil homoafetiva manifesta uma tendência de longa duração na democracia brasileira. Não é de hoje que aquilo que a literatura especializada denominou como “judicialização” da política e das relações sociais emerge em diferentes episódios e ocupa, cada vez mais, a percepção da opinião pública em geral. O fenômeno, talvez diagnosticado desde a década de 1980, traduz entre nós certa passividade do Legislativo, por um lado, e um super-dimensionamento da atuação dos operadores do direito, por outro, sem que tenhamos nitidez acerca das suas causas. Certo é, no entanto, que sentimos suas conseqüências no decorrer dos anos, observando “arriscadas” experiências institucionais e “perigosos” precedentes na interpretação da Constituição. Continue Lendo