Teoria Política

Manoel de Barros ou nas Mínimas Expressões está Toda Poesia – Número 142 – 01/2017 – [02-14]

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Os versos de “No meio do caminho”, poema de Carlos Drummond de Andrade que apareceu publicado primeiro numa edição da Revista de Antropofagia e dois anos depois, em 1930, foi incluído no volume Alguma poesia, inaugura – se não, renova – o tema da expressão mínima e vulgar como objeto original e propiciador do poético, efeito sempre condicionado a elementos de natureza sublime que outros poetas desde sempre tiveram ou designaram como ato epifânico, devaneio, sonho, resultado da inspiração, produto de um exercício tecnicamente elaborado. Evidentemente que a afirmativa sobre o poema do poeta mineiro não esquece os feitos de outros poetas. Dez anos antes, Manuel Bandeira já havia abalado a condição quase-sagrada da poesia com os também muito conhecidos versos de “Os sapos” – este é só um exemplo. Continue Lendo

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III Colóquio sobre Ceticismo

para se inscrever, basta confirmar em: https://www.facebook.com/events/1783226138601125/ ou mandar email com o nome completo para ckiraly@id.uff.br

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Democracia e Justiça: sobre pedaladas e pedalinhos – Número 141 – 12/2015 – [105-114]

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Para Patrick Burglin, in memoriam

Importantes interpretações da origem e conformação do pensamento político ocidental identificam em Platão dois marcos fundamentais que diferenciavam sua posição diante do universo político que o rodeava. Com ele, a invenção da filosofia política se punha contrária à polis e, como seu sustentáculo, desenvolvia um conceito sistemático de justiça. A crítica a um sistema pautado na atividade e não na razão coloca a existência da política em xeque na medida em que o governante, e o critério para se governar, é aquele que sabe, tal qual o médico sabe como cuidar da doença. Assim, desse ponto de vista, a teoria da justiça é a primeira e até hoje mais robusta formulação contrária à política enquanto atividade humana, inventada por humanos para os humanos como convívio sustentado no diálogo e no conflito não violento. A boa ordem, a ordem justa por excelência, só é capaz de se impor em uma cidade quando governada por uma aristocracia treinada, justamente o que falta ao governo democrático (ARENDT, 1998; WOLIN, 2004). Continue Lendo

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Bergson e o Enigma do Tempo – Número 139 – 11/2015 – [88-96]

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Um dos temas mais áridos para o pensamento humano, sem dúvida, é a questão do tempo. Passando das representações místicas da mitologia, pelas importantes, mas esporádicas reflexões filosóficas, até aos reducionismos instrumentais da ciência física, quando formula seus conceitos de tempo ancorando-se na matemática, é muito difícil afirmar que possuímos uma teoria temporal plenamente aplicável a todas as categorias de fenômenos. E mesmo as reflexões físicas e metafísicas de Aristóteles ou o profundo e inovador pensamento de Agostinho e de outros grandes pensadores a este respeito, segundo Bergson, não são suficientes para desautorizar a afirmação de uma certa negligência filosófica no estudo sobre ele. Esta denúncia, que ganhará uma fórmula mais profunda e abrangente mais tarde em seu segundo livro Matéria e Memória de 1897, já aparece de maneira prévia em seu primeiro livro Ensaio Sobre os Dados Imediatos da consciência de (1889). O que tentaremos mostrar é o sentido do tempo no Ensaio, o seu lugar central na metafísica de Bergson e quais os argumentos em favor dele como fundamento para a sua teoria do real. Continue Lendo

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Preconceito, tradição e autoridade no debate Gadamer-Habermas – Número 137 – 09/2015 – [71-80]

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São muitas as possibilidades de compreensão ou apropriação teórica do debate que se configura a partir de 1967 entre Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, quando o primeiro publica seu Verdade e Método. É a partir de então que uma sucessão de críticas, contribuições, respostas e réplicas que se seguiram entre ambos os filósofos deram o tom do debate sobre o qual venho aqui fazer uma breve recuperação e propor algumas questões. Continue Lendo

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Sra. Dalloway: um breve ensaio – Número 134 – 06/2015 – [48-56]

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Introdução

Caso fossemos inserir as obras de Virginia Woolf em uma corrente literária, qual poderia ser? Seria possível classificarmos em algum lugar comum os modelos de Woolf, estes que chegam a extrapolar as dimensões de um mero romance?

Certa vez, Ernest Heminway escreveu em um de seus livros:

Todos os bons livros se parecem como se eles fossem mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.[1]

Decerto, as obras literárias de Virgínia Woolf, em especial a obra a ser examinada (Sra. Dalloway), figuram na categoria “bons livros”. Não há como negar isto na precisão como ela desnuda seus personagens, digo, como eles se auto-desnudam por meio dela. Deste modo, Woolf tem o papel apenas de agenciar os monólogos interiores de cada um, polarizando qualidades e vícios com um poder de observação aguda tão evidente como se os pensamentos desvelassem por si suas próprias características. Continue Lendo

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Sexto Empírico e Saussure: um diálogo (de mudos?) entre o cético e o linguista – Número 133 – 05/2015 – [39-47]

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É muito cômico assistir aos gracejos sucessivos dos linguistas sobre o ponto de vista de A ou de B, porque esses gracejos parecem supor a posse de uma verdade, e é justamente a absoluta ausência de uma verdade fundamental que caracteriza, até hoje, o linguista.

(Saussure, 2002, p.104).

Sabe-se que, dentre as obras de Sexto Empírico (séc. II d.C.), nossa melhor fonte do ceticismo pirrônico, apenas três sobreviveram: as Hipotiposes pirrônicas (PH), Contra os dogmáticos e Contra os professores – sendo que essas duas últimas foram posteriormente reunidas sob o mesmo título de Adversus Mathematicos (M). Sabe-se, também, que, em Adversus Mathematicos, Sexto Empírico, pode-se dizer, executa seu exercício cético de ir contra não apenas as três partes da filosofia (ou seja, ele vai Contra os Lógicos, Contra os físicos e Contra os éticos), como, também, dispara seu arsenal cético na direção dos professores das artes liberais, aquelas que eram exercidas pelos cidadãos gregos, homens livres. Assim, Sexto Empírico vai contra os gramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, os astrônomos e os músicos. Continue Lendo

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O Sistema Eleitoral Misto Alemão e o Mito do Melhor dos Mundos – Número 132 – 04/2015 – [25-38]

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O sistema eleitoral misto, denominado como “mixed-member” na literatura internacional especializada e chamado por políticos e jornalistas de “distrital-misto”[1], combina representação proporcional com majoritária para a eleição parlamentar. Até os anos 1980, só era adotado pela Alemanha e pelo México (Nicolau, 2004), mas tornou-se verdadeira moda na década de 1990 e começo dos anos 2000, aderindo a ele países tão díspares como Itália, Japão, Nova Zelândia, Venezuela, Bolívia, Hungria, Rússia, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Armênia, Albânia, Croácia, Ucrânia e Lituânia (Katz, 2005, p. 74; Shugart & Wattenberg, 2001, p. 2; Nicolau, 2004, p. 65). Continue Lendo

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(Volume 10) O suicídio como forma de ação política e social no ceticismo de Montaigne e Hume

Neste artigo, abordamos o tema da morte explorando as dimensões política e social do suicídio nas filosofias céticas de Michel de Montaigne e David Hume. Não pretendemos identificar os condicionantes naturais, sociais e psicológicos do suicídio, mas investigar a centralidade da morte na definição dos limites da soberania, bem como examinar o sentido cético do suicídio como ato de resistência política.

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