Teoria Política

Bergson e o Enigma do Tempo – Número 139 – 11/2015 – [88-96]

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Um dos temas mais áridos para o pensamento humano, sem dúvida, é a questão do tempo. Passando das representações místicas da mitologia, pelas importantes, mas esporádicas reflexões filosóficas, até aos reducionismos instrumentais da ciência física, quando formula seus conceitos de tempo ancorando-se na matemática, é muito difícil afirmar que possuímos uma teoria temporal plenamente aplicável a todas as categorias de fenômenos. E mesmo as reflexões físicas e metafísicas de Aristóteles ou o profundo e inovador pensamento de Agostinho e de outros grandes pensadores a este respeito, segundo Bergson, não são suficientes para desautorizar a afirmação de uma certa negligência filosófica no estudo sobre ele. Esta denúncia, que ganhará uma fórmula mais profunda e abrangente mais tarde em seu segundo livro Matéria e Memória de 1897, já aparece de maneira prévia em seu primeiro livro Ensaio Sobre os Dados Imediatos da consciência de (1889). O que tentaremos mostrar é o sentido do tempo no Ensaio, o seu lugar central na metafísica de Bergson e quais os argumentos em favor dele como fundamento para a sua teoria do real. Continue Lendo

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Preconceito, tradição e autoridade no debate Gadamer-Habermas – Número 137 – 09/2015 – [71-80]

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São muitas as possibilidades de compreensão ou apropriação teórica do debate que se configura a partir de 1967 entre Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, quando o primeiro publica seu Verdade e Método. É a partir de então que uma sucessão de críticas, contribuições, respostas e réplicas que se seguiram entre ambos os filósofos deram o tom do debate sobre o qual venho aqui fazer uma breve recuperação e propor algumas questões. Continue Lendo

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Sra. Dalloway: um breve ensaio – Número 134 – 06/2015 – [48-56]

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Introdução

Caso fossemos inserir as obras de Virginia Woolf em uma corrente literária, qual poderia ser? Seria possível classificarmos em algum lugar comum os modelos de Woolf, estes que chegam a extrapolar as dimensões de um mero romance?

Certa vez, Ernest Heminway escreveu em um de seus livros:

Todos os bons livros se parecem como se eles fossem mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.[1]

Decerto, as obras literárias de Virgínia Woolf, em especial a obra a ser examinada (Sra. Dalloway), figuram na categoria “bons livros”. Não há como negar isto na precisão como ela desnuda seus personagens, digo, como eles se auto-desnudam por meio dela. Deste modo, Woolf tem o papel apenas de agenciar os monólogos interiores de cada um, polarizando qualidades e vícios com um poder de observação aguda tão evidente como se os pensamentos desvelassem por si suas próprias características. Continue Lendo

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Sexto Empírico e Saussure: um diálogo (de mudos?) entre o cético e o linguista – Número 133 – 05/2015 – [39-47]

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É muito cômico assistir aos gracejos sucessivos dos linguistas sobre o ponto de vista de A ou de B, porque esses gracejos parecem supor a posse de uma verdade, e é justamente a absoluta ausência de uma verdade fundamental que caracteriza, até hoje, o linguista.

(Saussure, 2002, p.104).

Sabe-se que, dentre as obras de Sexto Empírico (séc. II d.C.), nossa melhor fonte do ceticismo pirrônico, apenas três sobreviveram: as Hipotiposes pirrônicas (PH), Contra os dogmáticos e Contra os professores – sendo que essas duas últimas foram posteriormente reunidas sob o mesmo título de Adversus Mathematicos (M). Sabe-se, também, que, em Adversus Mathematicos, Sexto Empírico, pode-se dizer, executa seu exercício cético de ir contra não apenas as três partes da filosofia (ou seja, ele vai Contra os Lógicos, Contra os físicos e Contra os éticos), como, também, dispara seu arsenal cético na direção dos professores das artes liberais, aquelas que eram exercidas pelos cidadãos gregos, homens livres. Assim, Sexto Empírico vai contra os gramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, os astrônomos e os músicos. Continue Lendo

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O Sistema Eleitoral Misto Alemão e o Mito do Melhor dos Mundos – Número 132 – 04/2015 – [25-38]

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O sistema eleitoral misto, denominado como “mixed-member” na literatura internacional especializada e chamado por políticos e jornalistas de “distrital-misto”[1], combina representação proporcional com majoritária para a eleição parlamentar. Até os anos 1980, só era adotado pela Alemanha e pelo México (Nicolau, 2004), mas tornou-se verdadeira moda na década de 1990 e começo dos anos 2000, aderindo a ele países tão díspares como Itália, Japão, Nova Zelândia, Venezuela, Bolívia, Hungria, Rússia, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Armênia, Albânia, Croácia, Ucrânia e Lituânia (Katz, 2005, p. 74; Shugart & Wattenberg, 2001, p. 2; Nicolau, 2004, p. 65). Continue Lendo

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(Volume 10) O suicídio como forma de ação política e social no ceticismo de Montaigne e Hume

Neste artigo, abordamos o tema da morte explorando as dimensões política e social do suicídio nas filosofias céticas de Michel de Montaigne e David Hume. Não pretendemos identificar os condicionantes naturais, sociais e psicológicos do suicídio, mas investigar a centralidade da morte na definição dos limites da soberania, bem como examinar o sentido cético do suicídio como ato de resistência política.

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Birdman ou as Dinâmicas da Aceitação – Número 130 – 02/2015 – [13-18]

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Não é fácil aceitar uma piada. Uma piada, para ter que ser aceita, precisa fazer doer. Se não dói é porque não convocou, então a sua presença é indiferente. Há o piadista inofensivo, cujas graças não costumam passar pela aceitação de ninguém. Este opera por intervenções, aclara um sentido, força um trocadilho, e, como todos, tudo o que ele quer é ser aceito. Mas qual a diferença entre este e aquele, cuja piada é difícil de aceitar? Ora, este que quer apenas ser aceito, pouco se importa com a piada, tudo o que ele quer, bem, é ser aceito; se fosse uma negociação, mediante o recebimento da aceitação que deseja, ele prontamente largaria a piada. O outro não, e este é que é o problema, posto querer ser aceito com a piada. Ele quer ser aceito, a piada é parte de quem ele é, e, numa negociação, não sairá vivo, se tiver que largá-la. Continue Lendo

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Diderot e o Ceticismo – Número 129 – 01/2015 – [02-12]

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Obviamente não é tarefa das mais fáceis, e nem poderia mesmo ser, dizer de uma forma um tanto quanto categórica, que Diderot[1] (Langres, 1713 – Paris 1784) está inteiramente embrenhado por um espírito cético. O que nos causa curiosidade é o fato de podermos detectar como alguns preceitos da argumentação cética estão desenvolvidos no pensamento de Diderot desde o início de seu pensamento, ou seja, desde a sua juventude até sua fase madura. Continue Lendo

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Hölderlin e os Modernos – Número 128 – 12/2014 – [93-104]

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Pois em parte alguma ele fica.
Signo algum
o encerra.
Nem sempre
um vaso para contê-lo.

Frederich Hölderlin

A relevância do filósofo e poeta Frederich Hölderlin no final do século XVIII não foi das menores. Em 1794 ele se embrenhava nas discussões filosófico-ontológicas que pululavam durante o famoso seminário de Tübingen, cuja participação contava com Schelling e Hegel, causadas principalmente pelo impacto das três Críticas de Immanuel Kant e filosofia audaciosa de Fichte sobre a liberdade infinita do Eu, ambas vinculadas ao que iria convencionalmente chamar de Idealismo Alemão. Continue Lendo

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