Teoria Política

Birdman ou as Dinâmicas da Aceitação – Número 130 – 02/2015 – [13-18]

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Não é fácil aceitar uma piada. Uma piada, para ter que ser aceita, precisa fazer doer. Se não dói é porque não convocou, então a sua presença é indiferente. Há o piadista inofensivo, cujas graças não costumam passar pela aceitação de ninguém. Este opera por intervenções, aclara um sentido, força um trocadilho, e, como todos, tudo o que ele quer é ser aceito. Mas qual a diferença entre este e aquele, cuja piada é difícil de aceitar? Ora, este que quer apenas ser aceito, pouco se importa com a piada, tudo o que ele quer, bem, é ser aceito; se fosse uma negociação, mediante o recebimento da aceitação que deseja, ele prontamente largaria a piada. O outro não, e este é que é o problema, posto querer ser aceito com a piada. Ele quer ser aceito, a piada é parte de quem ele é, e, numa negociação, não sairá vivo, se tiver que largá-la. Continue Lendo

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Diderot e o Ceticismo – Número 129 – 01/2015 – [02-12]

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Obviamente não é tarefa das mais fáceis, e nem poderia mesmo ser, dizer de uma forma um tanto quanto categórica, que Diderot[1] (Langres, 1713 – Paris 1784) está inteiramente embrenhado por um espírito cético. O que nos causa curiosidade é o fato de podermos detectar como alguns preceitos da argumentação cética estão desenvolvidos no pensamento de Diderot desde o início de seu pensamento, ou seja, desde a sua juventude até sua fase madura. Continue Lendo

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Hölderlin e os Modernos – Número 128 – 12/2014 – [93-104]

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Pois em parte alguma ele fica.
Signo algum
o encerra.
Nem sempre
um vaso para contê-lo.

Frederich Hölderlin

A relevância do filósofo e poeta Frederich Hölderlin no final do século XVIII não foi das menores. Em 1794 ele se embrenhava nas discussões filosófico-ontológicas que pululavam durante o famoso seminário de Tübingen, cuja participação contava com Schelling e Hegel, causadas principalmente pelo impacto das três Críticas de Immanuel Kant e filosofia audaciosa de Fichte sobre a liberdade infinita do Eu, ambas vinculadas ao que iria convencionalmente chamar de Idealismo Alemão. Continue Lendo

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O ‘Esclarecimento’ kantiano do socialismo evolucionário de Bernstein – Número 127 – 11/2014 – [84-92]

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Temos aqui, em síntese, a explicação do programa socialista por meio da “razão pura”. Temos aqui, para usar uma linguagem mais simples, uma explicação idealista do socialismo. A necessidade objetiva do socialismo, a explicação do socialismo como o resultado do desenvolvimento material da sociedade, cai por terra.

Rosa Luxemburgo, Reforma ou Revolução, cap. 1

Eduard Bernstein foi atacado por todos os setores do Partido Social-democrata da Alemanha, entre eles aqueles liderados por pensadores destacados, como Karl Kautsky e, ainda mais condenatoriamente, Rosa Luxemburgo. Bernstein questionou dogmas estabelecidos no pensamento marxista, pilares da retórica de seu próprio partido. Seu revisionismo pregava uma mudança na concepção de socialismo, e sua fundamentação era impregnada de princípios neokantianos. Continue Lendo

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Mill, breve biografia sentimental e intelectual – Número 125 – 09/2014 – [68-73]

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Infância

John Stuart Mill e utilitarismo são dois nomes dificilmente separáveis na história do pensamento ocidental. Considerado o maior nome da filosofia utilitarista durante o século XIX, comumente é apontado como melhor gênio filosófico produzido pela Inglaterra naquele período. Mas o posto de campeão filosófico não chega à sua vida por acaso, pelo sabor dos acontecimentos ou devido à inspiração de uma musa – minto, há uma musa sim nessa história – mas como fruto do planejamento levado a cabo por seu pai, que pretendia criar uma perfeita mente filosófica. Stuart Mill é um projeto. Embora a educação familiar lhe indica-se a razão como destino, os sentimentos em sua vida o conduziram a uma filosofia original, ao mesmo tempo dissidente e arejadora do utilitarismo. Continue Lendo

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II Colóquio sobre Ceticismo

Para se inscrever basta confirmar presença na página do evento no Facebook ou mandar email para ckiraly@id.uff.br

cartaz_II_coloquio_ceticismo

Para Assistir OnLine
http://video.rnp.br/portal/transmission.action?idItem=22483
http://bit.ly/aovivofbn

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Sir Robert Filmer no Brasil – Número 124 – 08/2014 – [62-67]

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And therefore from the like things past, they expect the like things to come; and hope for good or evil luck

Thomas Hobbes, Leviathan, I, 12

Estudiosos do pensamento político inglês do século XVII, dentre as etapas que  costumam marcar intelectualmente o período, alocam em Hobbes (De Cive, 1642 e Leviathan, 1651) o ponto de inflexão mais contundente, separando-se, a partir de então, da querela da origem da legitimidade da coroa. Dentre os que estavam nesta disputa, havia quem defendesse o governo livre desde os primórdios saxões e nórdicos; outros apresentavam a conquista normanda em 1066 como o efetivo momento da criação da common law e, com ela, os costumes britânicos dos quais temos notícias até hoje. Havia ainda aqueles que alocavam na Magna Carta os direitos originais. Continue Lendo

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Discurso aos Estudantes sobre a Pesquisa em Filosofia – Número 123 – 07/2014 – [54-61]

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Se se trata de discutir pesquisa em filosofia, a pergunta imediatamente nos acode: pesquisa em Filosofia ou pesquisa em História da Filosofia? A pesquisa em História da Filosofia tem sido fortemente desenvolvida entre nós, com profícuos resultados. Um número já impressionante de boas monografias historiográficas foram produzidas por nossos professores e pós-graduados e isso é e deve ser para nós um motivo de orgulho. Estamos fazendo boa História da Filosofia e estamos preparando nossos alunos com seriedade e rigor para serem bons historiadores da Filosofia. Isso não está certamente em questão e creio ser objeto de consenso. Os trabalhos de nossos alunos, os resultados que têm logrado, mesmo durante seu curso de Graduação, o mostram obejamente, e este mesmo encontro, que se está hoje iniciando, é disso a irrefutável prova. Continue Lendo

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Thoreau, literatura em movimento – Número 122 – 06/2014 – [50-53]

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Direct your eye right inward, and you’ll find
A thousand regions in your mind
Yet undiscovered. Travel them, and be
Expert in home-cosmography.
Henry David Thoreau – Walden

A história e a literatura dos Estados Unidos têm entre seus elementos constituintes a ideia de movimento; não só como deslocamento, mas também como seu ímpeto em sair de um estado de coisas, potência de fuga diante de qualquer possibilidade fixidez que tolha a liberdade. Identifica-se a experiência do movimento na marcha para o oeste, nas fugas e migrações de negros para regiões mais livres do país, nas febres mineradoras – os americanos sempre vagaram por seu território deliberadamente em busca de melhores condições de vida. Mas também identificamos o movimento nos andarilhos e marginais de William Faulkner, nas migrações de John Steinbeck ou na crônica de viagem de Kerouac. Continue Lendo

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