Author Archives: Rodrigo Pinto de Brito

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Doutorando em Filosofia pela PUC-Rio.

O Moinho da Dúvida Sistemática – Número 93 – 04/2013 – [26-30]

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O verdadeiro filósofo, dizem-nos muitas vezes, duvida de tudo que não se possa provar a partir de premissas absolutamente seguras. A filosofia começa com a dúvida, normalmente sobre certas proposições teológicas ou morais que até então ocuparam o posto de crenças; se for perseguida sistematicamente, levará o devoto a duvidar, por sua vez, da existência da consciência, do espaço, das relações, da lógica, do mundo externo, e da mente de outras pessoas, e este ceticismo pretensamente abriria o caminho para o conhecimento verdadeiro.

Mas, no altar da razão pura, agora tão pura de modo a estar vazia, encontramos uma nova doutrina tão fácil de formar quanto outra; podemos provar para a nossa própria satisfação, de acordo com nossas inclinações, a certeza completa do Espírito, ou da Matéria, ou de Categorias Lógicas, Mônadas, Egos, Essências, Impulsos Vitais, ou do Absoluto; entretanto, a prova mais convincente das nossas realidades não irá prevenir uma próxima pessoa de duvidar de todo o produto, efetuando as mesmas acrobacias mentais do ceticismo e da introspecção e da prova, e chegando a resultados diferentes. Todo pensador deve começar do começo não apenas do seu problema específico, mas do terreno inteiro do conhecimento. E, à medida que o conjunto de entidades estranhas aumenta, a empreitada de abertura de caminho torna-se cada vez mais onerosa, pois há mais e mais coisas cujas existências devem ser refutadas. Tudo que é possível de ser posto em dúvida deve sê-lo; e o pesquisador realmente honesto, percebendo que todos os filósofos antes dele foram lançados ao descrédito por muitas pessoas competentes, torna-se cauteloso, por fim, de acreditar em qualquer coisa, pois, não mais está satisfeito com a “autoevidência” de seus pressupostos. Ele refuta suas próprias ideias, e, finalmente, depara-se com a escolha entre manter crenças dogmáticas cegas, ou crença nenhuma – entre o ceticismo e a fé animal. Continue Lendo

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O Estoicismo e suas Máximas: Epicteto – Número 78 – 11/2012 – [282-304]

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Em 1345, quando Petrarca descobriu na Biblioteca Capitular de Verona um manuscrito, até então ‘perdido’, de Cícero com as obras ‘Epistulae ad Atticum, ad Quintum fratrem e ad Brutum’, sua euforia foi imensurável, mas ainda assim, apesar das palavras lhe fugirem, o poeta e humanista italiano esforçou-se para expressar a satisfação de ter encontrado tais textos em uma carta dirigida ao próprio Cícero[1]. Continue Lendo

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Ceticismo e a Possibilidade do Conhecimento, de Barry Stroud – Número 60 – 05/2012 – [123-129]

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Tradução: Rodrigo Pinto de Brito e Alexandre Arantes Pereira Skvirsky

O ceticismo na filosofia recente e atual representa uma certa ameaça ou desafio em teoria do conhecimento. Qual é esta ameaça? Quão séria ela é? Como, se possível, ela pode ser superada? Quais as consequências se não puder ser superada? Continue Lendo

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Estratégias céticas, de Gisela Striker – Número 56 – 04/2012 – [74-100]

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Tradução: Rodrigo Pinto de Brito
Revisão da tradução: Plínio Junqueira Smith

Antes de começar um exame dos argumentos céticos, talvez eu deva dizer algumas palavras sobre o próprio termo “ceticismo”[2]. O “ceticismo”, como proponho usar a palavra, pode ser identificado por duas características: uma tese, nomeadamente a de que nada pode ser conhecido, e uma recomendação, nomeadamente a de que se deve suspender o juízo sobre todas as questões[3]. Essas duas características são logicamente independentes uma da outra, já que a tese não é suficiente para justificar a recomendação. Ambas são suscetíveis de diferentes interpretações, de modo que elas não determinam os detalhes de uma filosofia cética. A meu ver, seria justo dizer que, na época moderna, a tese tem sido a característica mais proeminente, enquanto os antigos parecem ter considerado a recomendação como igualmente importante. Neste artigo, concentrar-me-ei principalmente na recomendação, ou seja, na epoché, embora a tese também emergirá na discussão da defesa dos céticos de sua posição. Entretanto, suas credenciais não nos interessarão aqui. Começarei com um problema de interpretação que surge na tradição envolvendo Carnéades. Em seguida, discutirei as respectivas réplicas de Arcesilau e Carnéades a dois argumentos (Estóicos) contra o ceticismo, como exemplos de duas diferentes maneiras de defender a posição cética. Finalmente, retornarei ao primeiro problema para ver se a investigação sobre a maneira de argumentar de Carnéades pode lançar alguma luz sobre esse problema. Continue Lendo

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Análise de fonte primária: Sexto Empírico, ‘Contra os Lógicos’ 1- 26 – Número 42 – 11/2011 – [162-165]

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i- Introdução:

As escolas filosóficas do período helenístico foram, infelizmente e durante muito tempo, olvidadas por pesquisadores e acadêmicos. Elas tiveram sua importância diminuída em detrimento das filosofias do período clássico e, em casos extremos, chegaram mesmo a ser chamadas de ‘pós-Aristotélicas’, termo que, segundo Sedley[1], apesar de cronologicamente impecável, nutre a impressão de que Aristóteles marca a acme da filosofia grega e que depois dele nada foi feito que não fosse expressão de decadência[2]. Continue Lendo

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