Novembro

Mind Game – Número 81 – 11/2012 – [310-311]

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Houve um tempo em que os cinemas eram em ruas e galerias, os assaltantes não usavam armas automáticas e os policiais os perseguiam de fusca. Não era um tempo propriamente extraordinário, mas foi um tempo. Era o meu tempo. Nele, como dito num filme não muito velho do Tarantino, valorizávamos os diretores. Na verdade, a personagem, uma bela judia francesa, diz: – “grandes diretores”, instada por um militar alemão do porquê não se incomodar de exibir filmes alemães em seu cinema, de rua. Talvez devesse ser traçada a relação entre o surgimento dos grandes diretores e a existência dos cinemas de rua. Continue Lendo

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Ontem – Número 80 – 11/2012 – [309]

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Ontem

Ontem,
se todo o tempo não fosse vento.
As ranhuras da nossa
brisa, restariam respondidas
pela barra do teu vestido
em rodopio. Nas pálpebras
cansadas e encharcadas
de rio. Ora, para que
pensar desvios? O que eu diria
aos filhos dos sete afluentes do
Ota, se tua não fosse
a tua penumbra?
Ontem,

Ayer

Ayer,
si todo el tiempo no fuese viento.
Las ranuras de nuestra
brisa, quedarían respondidas
por el dobladillo de tu vestido
revuelto. En los párpados
cansados y empapados
de río. ¿Pero para qué
pensar desvíos? ¿Qué les diría yo
a los hijos de los siete afluentes
del Río Ota, si tuya no fuese
tu penumbra?
Ayer,

(leitura e tradução de Mariana Amato)

***
Cesar Kiraly

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A Rosa Amarelo-Púrpura – Número 79 – 11/2012 – [305-308]

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“A Primeira e Única

Ela, a cujos poemas eram endereçáveis; ela,cuja importância é notável, que não escreve poemas apesar de servir como significativo poema ao poeta – eu a conheço. Se alguém a lança gracejos, fica atônita. Eu já declamei para ela, mas nada que me satisfizesse. Ela me enxotou; o que fez com que sorrisse, alegremente, como se ela tivesse me dado uma noite com ela, daquelas que causam arrepios no poeta, porque até então era permitido a ele somente imaginar suas pernas. Depois disso, eu jamais amarei novamente. Ela fez de mim uma criança que se maravilha com a terra, é submetida a belas instruções, e reverencia a Deus. Os sapatinhos não são tão charmosos assim. Mas eu amo o jeito como ela brinca com o lencinho. Eu não tenho permissão para vê-la novamente, e ainda assim, estou feliz. Com ela, o meu comportamento era vergonhoso, pois em sua presença eu tremia,apesar de pretender me mostrar seguro de si. Mas terminei tremendo por causa da idiotice do amor, que muito me irritou. Ainda assim, longe dela, eu a acariciei, brinquei com ela, dei cambalhotas como um lunático, um menino bobo. Por quatro anos eu poderia ter sido capaz de esquecê-la, mas tudo voltava de novo. A lembrança dela era encantadora. Eu não fazia ideia do poder que uma garota tinha. Toda a fidelidade, tudo que era bom em mim não era nada páreo às vestes da Primeira e Única. Eu estou animado, como se estivesse diante do início da manhã, apesar de ser meia-noite. Eu escrevo isto, como se estivesse dando para ninguém ler.” Continue Lendo

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O Estoicismo e suas Máximas: Epicteto – Número 78 – 11/2012 – [282-304]

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Em 1345, quando Petrarca descobriu na Biblioteca Capitular de Verona um manuscrito, até então ‘perdido’, de Cícero com as obras ‘Epistulae ad Atticum, ad Quintum fratrem e ad Brutum’, sua euforia foi imensurável, mas ainda assim, apesar das palavras lhe fugirem, o poeta e humanista italiano esforçou-se para expressar a satisfação de ter encontrado tais textos em uma carta dirigida ao próprio Cícero[1]. Continue Lendo

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