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(Volume 10) O suicídio como forma de ação política e social no ceticismo de Montaigne e Hume

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Neste artigo, abordamos o tema da morte explorando as dimensões política e social do suicídio nas filosofias céticas de Michel de Montaigne e David Hume. Não pretendemos identificar os condicionantes naturais, sociais e psicológicos do suicídio, mas investigar a centralidade da morte na definição dos limites da soberania, bem como examinar o sentido cético do suicídio como ato de resistência política.

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Birdman ou as Dinâmicas da Aceitação – Número 130 – 02/2015 – [13-18]

B

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Não é fácil aceitar uma piada. Uma piada, para ter que ser aceita, precisa fazer doer. Se não dói é porque não convocou, então a sua presença é indiferente. Há o piadista inofensivo, cujas graças não costumam passar pela aceitação de ninguém. Este opera por intervenções, aclara um sentido, força um trocadilho, e, como todos, tudo o que ele quer é ser aceito. Mas qual a diferença entre este e aquele, cuja piada é difícil de aceitar? Ora, este que quer apenas ser aceito, pouco se importa com a piada, tudo o que ele quer, bem, é ser aceito; se fosse uma negociação, mediante o recebimento da aceitação que deseja, ele prontamente largaria a piada. O outro não, e este é que é o problema, posto querer ser aceito com a piada. Ele quer ser aceito, a piada é parte de quem ele é, e, numa negociação, não sairá vivo, se tiver que largá-la. Continue Lendo

Diderot e o Ceticismo – Número 129 – 01/2015 – [02-12]

D

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Obviamente não é tarefa das mais fáceis, e nem poderia mesmo ser, dizer de uma forma um tanto quanto categórica, que Diderot[1] (Langres, 1713 – Paris 1784) está inteiramente embrenhado por um espírito cético. O que nos causa curiosidade é o fato de podermos detectar como alguns preceitos da argumentação cética estão desenvolvidos no pensamento de Diderot desde o início de seu pensamento, ou seja, desde a sua juventude até sua fase madura. Continue Lendo

Hölderlin e os Modernos – Número 128 – 12/2014 – [93-104]

H

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Pois em parte alguma ele fica.
Signo algum
o encerra.
Nem sempre
um vaso para contê-lo.

Frederich Hölderlin

A relevância do filósofo e poeta Frederich Hölderlin no final do século XVIII não foi das menores. Em 1794 ele se embrenhava nas discussões filosófico-ontológicas que pululavam durante o famoso seminário de Tübingen, cuja participação contava com Schelling e Hegel, causadas principalmente pelo impacto das três Críticas de Immanuel Kant e filosofia audaciosa de Fichte sobre a liberdade infinita do Eu, ambas vinculadas ao que iria convencionalmente chamar de Idealismo Alemão. Continue Lendo

O ‘Esclarecimento’ kantiano do socialismo evolucionário de Bernstein – Número 127 – 11/2014 – [84-92]

O

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Temos aqui, em síntese, a explicação do programa socialista por meio da “razão pura”. Temos aqui, para usar uma linguagem mais simples, uma explicação idealista do socialismo. A necessidade objetiva do socialismo, a explicação do socialismo como o resultado do desenvolvimento material da sociedade, cai por terra.

Rosa Luxemburgo, Reforma ou Revolução, cap. 1

Eduard Bernstein foi atacado por todos os setores do Partido Social-democrata da Alemanha, entre eles aqueles liderados por pensadores destacados, como Karl Kautsky e, ainda mais condenatoriamente, Rosa Luxemburgo. Bernstein questionou dogmas estabelecidos no pensamento marxista, pilares da retórica de seu próprio partido. Seu revisionismo pregava uma mudança na concepção de socialismo, e sua fundamentação era impregnada de princípios neokantianos. Continue Lendo

Mill, breve biografia sentimental e intelectual – Número 125 – 09/2014 – [68-73]

M

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Infância

John Stuart Mill e utilitarismo são dois nomes dificilmente separáveis na história do pensamento ocidental. Considerado o maior nome da filosofia utilitarista durante o século XIX, comumente é apontado como melhor gênio filosófico produzido pela Inglaterra naquele período. Mas o posto de campeão filosófico não chega à sua vida por acaso, pelo sabor dos acontecimentos ou devido à inspiração de uma musa – minto, há uma musa sim nessa história – mas como fruto do planejamento levado a cabo por seu pai, que pretendia criar uma perfeita mente filosófica. Stuart Mill é um projeto. Embora a educação familiar lhe indica-se a razão como destino, os sentimentos em sua vida o conduziram a uma filosofia original, ao mesmo tempo dissidente e arejadora do utilitarismo. Continue Lendo

Sir Robert Filmer no Brasil – Número 124 – 08/2014 – [62-67]

S

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And therefore from the like things past, they expect the like things to come; and hope for good or evil luck

Thomas Hobbes, Leviathan, I, 12

Estudiosos do pensamento político inglês do século XVII, dentre as etapas que  costumam marcar intelectualmente o período, alocam em Hobbes (De Cive, 1642 e Leviathan, 1651) o ponto de inflexão mais contundente, separando-se, a partir de então, da querela da origem da legitimidade da coroa. Dentre os que estavam nesta disputa, havia quem defendesse o governo livre desde os primórdios saxões e nórdicos; outros apresentavam a conquista normanda em 1066 como o efetivo momento da criação da common law e, com ela, os costumes britânicos dos quais temos notícias até hoje. Havia ainda aqueles que alocavam na Magna Carta os direitos originais. Continue Lendo

Cesar Kiraly

Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense.