Política Internacional

As Ferramentas Metodológicas em Lene Hansen – Número 176 – 05/2021 – [24-28]

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Resenha do livro: Security as Practice: discourse analysis and the bosnian war, de Lene Hansen

O texto de Lane Hansen aborda os estudos pós-estruturalistas, a dimensão epistemológica e metodológica e -principalmente – as esferas particulares dos assuntos sobre identidade e política externa e como eles se interlaçam. Para isso a autora usa como exemplo a guerra da Bósnia, para poder aplicar o seu estudo de caso. Portanto o livro praticamente se divide entre capítulos que falam sobre teoria e os capítulos finais sobre a aplicação desta teoria. Continue Lendo

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Sobre o Irã e o Islam – Número 170 – 12/2018 – [79 – 86]

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Oriente Médio foi uma palavra criada em 1902 por um oficial norte-americano chamado Alfred Mahan que afirmava que o país que controlasse o Oriente Médio seria capaz de controlar o mundo (Filiu, 2012: 63). Muitos países do Oriente Médio sofreram invasões, mas o Irã (antiga Pérsia) especificamente foi um alvo mais corriqueiro por conta da sua geografia, já que o Estado foi uma importante rota para o comércio mundial, ao localizar-se entre a Ásia e a Europa. O livro de Kamel explica que a antiga Pérsia foi rebatizada com o nome Irã (que significa terra dos arianos) pelo Xá Reza Pahlavi em 1935, porque ele preferia este nome e também porque a população já chamava o local assim. Alguns historiadores alegam que o Xá nomeou o lugar com este nome para agradar Hitler, mas isso nunca ficou provado uma vez que os cidadãos lhe conferiam este nome pelo fato de os colonizadores da Pérsia terem sido os arianos, portanto chamavam o país de Irã. Também na época em que o Xá estava na frente da máquina política, os cidadãos da Pérsia já denominavam o seu país como o Irã (Kamel, 2007: 117). Continue Lendo

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‘Não há Inocentes’: conjuntura latino-americana e a volta dos que não foram – Número 147 – 05/2017 – [48-54]

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“Não há inocentes. Apenas diferentes graus de responsabilidade”, raciocina Lisbeth Salander, protagonista de A menina que brincava com fogo, de Stieg Larsson. Na saga, o protagonista Mikael Blomkvist é um jornalista dedicado a investigar uma série de escândalos de corrupção envolvendo autoridades respeitáveis de seu país: a Suécia. Sim, parece que  escândalos desse gênero acontecem mesmo onde o Estado Social de Direito atingiu seu esplendor. Conforme vai acompanhando as investigações de Blomkvist, o leitor é levado a concluir que a diferença entre inocentes e culpados, pode ser colocada em uma escala, na qual os extremos importam menos do que as gradações. Continue Lendo

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O Fim da Era das Democracias na América – Número 146 – 04/2017 – [32-47]

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Situações políticas dramáticas nos impõem custos emocionais e sociais, todavia, não que isto seja um consolo, também oferecem oportunidades para que a ciência política e outras áreas humanas repensem e calibrem seus modelos e parâmetros analíticos. O fim da era das democracias na América Latina propicia uma reflexão sobre as classificações dos regimes, a categorização ou não como democracia, e sobre como se classificar aquilo que não é democrático. A análise de conjuntura da sucessão de golpes e degradação da democracia no continente será feita aqui de modo a discutir, também, o método, os critérios e os conceitos, com o intuito de colaborar para que a ciência política lide com esta conjuntura de modo mais rigoroso. Continue Lendo

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O refluxo da Maré Rosa e o impasse do chavismo na Venezuela – Número 138 – 10/2015 – [81-87]

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Contrariando as previsões amplamente veiculadas na mídia nacional e internacional, que alertavam sobre movimentações golpistas na caserna chavista, minutos após o lançamento dos primeiros resultados por parte do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o presidente venezuelano Nicolás Maduro veio a publico reconhecer a derrota do governo nas eleições legislativas, realizadas em 06 de dezembro. Os resultados foram acachapantes, a coalizão opositora Mesa de Unidade Democrática (MUD) obteve 65,27% dos votos, enquanto o Gran Polo Patriótico (GPP)[1], aliança de partidos criada para apoiar a Revolução Bolivariana, logrou apenas 32,93%. Os números garantem à MUD a maioria qualificada, necessária para a aprovação de mudanças constitucionais e de um referendo revogatório que poderia permitir o afastamento do atual presidente da República[2]. Continue Lendo

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O caso da visita dos senadores – Número 136 – 08/2015 – [64-70]

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Ao longo da última década do século XX, na América Latina, a adesão à proposta neoliberal de redução dos gastos públicos, se traduziu, no despontar do século XXI, em uma conjuntura de grave crise econômica e política[1]. Nesse contexto, a vitória eleitoral de partidos de esquerda em vários países sul-americanos[2]– sobretudo Argentina (2003), Bolívia (2005), e Equador (2006) – fez surgir a percepção de que o proceso de cambio seria exportado para outros países da região. Aos olhos das elites econômicas sul-americanas, isso representava uma possível ameaça aos fluxos de capitais financeiros na região, tendo em vista uma conjuntura política instável e radicalizada, passível de afugentar investidores internacionais. Continue Lendo

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O inimigo brasileiro e os desafios da esquerda sulamericana – Número 126 – 10/2014 – [74-83]

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O dia 12 de outubro de 2005 celebra o que, até agora, pode ser considerado como o mais importante acontecimento da história boliviana do século XXI. Nessa data, um líder cocaleiro, que quando criança catava cascas de laranja jogadas no lixo por passageiros de ônibus, foi eleito o primeiro presidente indígena da Bolívia, uma nação que têm apenas 7% de brancos entre os seus cidadãos, em sua imensa maioria indígenas (55%) ou mestiços (35%). Não é apenas a sua origem uru-aimará que determina o ineditismo da trajetória política de Evo Morales, uma vez que, desde então, a Bolívia vive o mais longevo período de estabilidade de sua história, marcada por uma sucessão de golpes e ditaduras. Continue Lendo

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“La calle es la salida” ? Uma hipótese sobre o 12F venezuelano – Número 119 – 03/2014 – [24-36]

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Desde o dia 03 de fevereiro, um dia depois do aniversário de quinze anos da posse de Hugo Chávez, em 1999, centenas de pessoas participaram de uma assembleia, convocada pela oposição para expressar sua insatisfação com os rumos do país. Na mesma semana, se intensificaram as manifestações dos estudantes, que desde o final de janeiro se reuniam para protestar contra a insegurança, atraindo a atenção da mídia internacional. Percebendo a oportunidade com que a fortuna lhes agraciava, um pequeno grupo de líderes oposicionistas resolveu que era o momento de deixar a phrónesis de lado para exigir a imediata saída dos chavistas no poder, lançando o slogan “La calle es la salida” para nomear o movimento que também tem sido chamado de 12F[1], em referência à data da conclamação, no dia 12 de fevereiro. Desde então,  a Venezuela se encontra em convulsão. Entrincheirados em barricadas, operações de resistência civil ou reunidos aos milhares nas ruas, os cidadãos se dividem na defesa ou ataque ao governo e são alvo de atiradores misteriosos, desautorizados e radicalmente criticados por ambos os lados do conflito.

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Viveremos e Venceremos! Quando a razão populista visitou Caracas – Número 88 – 03/2013 – [08-18]

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Quem nunca leu um livro e passou pela mágica experiência de reconhecer nele um espelho para o mundo ? O delicioso momento em que o universo irredutível, caótico e amorfo é amarrado por uma cadeia causal que o domestica e torna cristalino, simples e previsível. Que alívio sentimos nesse instante em que um conjunto infinito de significados e possibilidades se reduzem a uma explicação cabal. Infelizmente, ele dura pouco, sendo sucedido por um sentimento de torpor provocado pelo desabamento acachapante da realidade, que passa a parecer ainda mais insondável. Em seguida, voltamos a sentir, a princípio ainda com mais intensidade, a dor da ignorância, da incompreensão e da dúvida, que volta a dar o tom de nossas comezinhas reflexões. Continue Lendo

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