Este Breviário em PDF
Tradução: Rodrigo Pinto de Brito
Revisão da tradução: Plínio Junqueira Smith
Antes de começar um exame dos argumentos céticos, talvez eu deva dizer algumas palavras sobre o próprio termo “ceticismo”[2]. O “ceticismo”, como proponho usar a palavra, pode ser identificado por duas características: uma tese, nomeadamente a de que nada pode ser conhecido, e uma recomendação, nomeadamente a de que se deve suspender o juízo sobre todas as questões[3]. Essas duas características são logicamente independentes uma da outra, já que a tese não é suficiente para justificar a recomendação. Ambas são suscetíveis de diferentes interpretações, de modo que elas não determinam os detalhes de uma filosofia cética. A meu ver, seria justo dizer que, na época moderna, a tese tem sido a característica mais proeminente, enquanto os antigos parecem ter considerado a recomendação como igualmente importante. Neste artigo, concentrar-me-ei principalmente na recomendação, ou seja, na epoché, embora a tese também emergirá na discussão da defesa dos céticos de sua posição. Entretanto, suas credenciais não nos interessarão aqui. Começarei com um problema de interpretação que surge na tradição envolvendo Carnéades. Em seguida, discutirei as respectivas réplicas de Arcesilau e Carnéades a dois argumentos (Estóicos) contra o ceticismo, como exemplos de duas diferentes maneiras de defender a posição cética. Finalmente, retornarei ao primeiro problema para ver se a investigação sobre a maneira de argumentar de Carnéades pode lançar alguma luz sobre esse problema. Continue Lendo