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Ceticismo e a Possibilidade do Conhecimento, de Barry Stroud – Número 60 – 05/2012 – [123-129]

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Tradução: Rodrigo Pinto de Brito e Alexandre Arantes Pereira Skvirsky

O ceticismo na filosofia recente e atual representa uma certa ameaça ou desafio em teoria do conhecimento. Qual é esta ameaça? Quão séria ela é? Como, se possível, ela pode ser superada? Quais as consequências se não puder ser superada? Continue Lendo

Shame de Steve McQueen – Número 59 – 04/2012 – [121-122]

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Ao entrecruzamento de vistas no metrô há poucas alternativas, pode-se assumir o vazio, o caráter vagabundo dos olhos naquela circunstância, a frivolidade de certo espaço livre que permite o obliquo dos olhares, o tensionamento dos toques; ou pegar o celular e tornar evidente por representação (a presença fantasmática do ausente) de que não se está à mercê. Não é caso aqui de perguntar sobre aqueles que no trem estão a ler, pois tal nos levaria à oscilação entre o vazio e outra coisa. Ora, circunstâncias diferentes possuem modos distintos de vazio, nesse caso ele está na flutuação dos olhos. Continue Lendo

Estratégias céticas, de Gisela Striker – Número 56 – 04/2012 – [74-100]

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Tradução: Rodrigo Pinto de Brito
Revisão da tradução: Plínio Junqueira Smith

Antes de começar um exame dos argumentos céticos, talvez eu deva dizer algumas palavras sobre o próprio termo “ceticismo”[2]. O “ceticismo”, como proponho usar a palavra, pode ser identificado por duas características: uma tese, nomeadamente a de que nada pode ser conhecido, e uma recomendação, nomeadamente a de que se deve suspender o juízo sobre todas as questões[3]. Essas duas características são logicamente independentes uma da outra, já que a tese não é suficiente para justificar a recomendação. Ambas são suscetíveis de diferentes interpretações, de modo que elas não determinam os detalhes de uma filosofia cética. A meu ver, seria justo dizer que, na época moderna, a tese tem sido a característica mais proeminente, enquanto os antigos parecem ter considerado a recomendação como igualmente importante. Neste artigo, concentrar-me-ei principalmente na recomendação, ou seja, na epoché, embora a tese também emergirá na discussão da defesa dos céticos de sua posição. Entretanto, suas credenciais não nos interessarão aqui. Começarei com um problema de interpretação que surge na tradição envolvendo Carnéades. Em seguida, discutirei as respectivas réplicas de Arcesilau e Carnéades a dois argumentos (Estóicos) contra o ceticismo, como exemplos de duas diferentes maneiras de defender a posição cética. Finalmente, retornarei ao primeiro problema para ver se a investigação sobre a maneira de argumentar de Carnéades pode lançar alguma luz sobre esse problema. Continue Lendo

O que é abstração real? – Número 54 – 03/2012 – [51-70]

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A presente investigação faz parte de um estudo mais abrangente sobre a noção de laço social em jogo na teoria lacaniana da ideologia, tal como desenvolvida principalmente por Slavoj Žižek (Žižek, 1999; 2002; 2006; 2011). As elaborações aqui apresentadas focam exclusivamente em um dos pilares fundamentais dessa teoria e tem o intuito último de esclarecer o assunto em questão para nós mesmos.

Um dos grandes desafios da atualização da crítica marxista da economia política é o problema que a teoria monetária de Marx enfrenta com o aparecimento do dinheiro inconversível (HARVEY, 1999; ROTTA, 2008). Mesmo em seu tratamento do sistema de crédito e do capital fictício, Marx mantém que a tensão essencial entre o dinheiro como medida de valor e meio de circulação é sustentada pela reserva de metais preciosos, que dota a moeda com seu valor de equivalência (MARX, 2008: 534-536), não considerando o caso – que é o nosso desde 1971 – de uma moeda internacional cuja função de medida de valor não é lastreada pelo padrão-ouro, mas garantida exclusivamente pelo poder do Estado (HARVEY, 1999: 292-296). Continue Lendo

Discursos sobre os primeiros onze capítulos de Nicolau Maquiavel – Número 52 – 03/2012 – [35-42]

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Em 1511, na França, Maquiavel recebeu uma carta oficial de seus superiores da chancelaria de Florença. O documento reafirmava o quão obediente deveria ser o secretário aos mandos da mais alta instância da cidade, o Conselho dos Dez (I Dieci). Diziam claramente que ele deveria “fazer toda diligência e trabalhos que este Conselho […] não faz” (MACHIAVELLI, 1999, p. 1341)[1]. O texto expressa não uma necessária subserviência do secretário aos Dieci, mas uma relação de comprometimento mútuo no exato instante de uma deliberação que ambos os lados não estavam de plenos acordos. De fato, a discordância entre o Conselho de Florença e seu legítimo representante não os tornaram menos unidos por conta disso. Embora o prenúncio de uma desgraça tenha chegado à Florença com a resposta de Maquiavel – “il futuro era la guerra” (MACHIAVELLI, 1999, p. 1346) – permaneciam unidos. Esta república contava com a tenaz assiduidade de Nicolau Maquiavel e o firme pulso dos Dieci. Ainda que destoassem em suas avaliações políticas, permaneciam ambos sob a insigne da mesma república. Nos quatorze anos de serviço austero, Maquiavel aprendeu tudo aquilo que a experiência pode ensinar e, depois da derrota da república de Florença em 1512, foi banido da cidade, não antes sem ser interrogado, preso e torturado pela família principesca invasora. Continue Lendo

A Política como Transformação – Número 49 – 02/2012 – [15-25]

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A ciência política moderna tem uma detestável tendência ao conservadorismo. As opiniões que freqüentemente exprimem muitos de seus especialistas contrariam o senso comum não por ultrapassá-lo, enxergando aquilo que os leigos não percebem, mas sim por realizarem malabarismos conceituais para situar-se aquém dele no que se refere ao ser progressismo. Por exemplo, para que serve um sistema eleitoral? Um leigo provavelmente responderá, de forma mais ou menos elaborada, que serve para converter a vontade popular em poder, para que aqueles escolhidos pelos eleitores por meio do voto sejam quem tem poder para governar e legislar. Para boa parte dos cientistas políticos, no entanto, o sistema eleitoral serve para levar a um governo estável e à governabilidade, mesmo que a própria vontade popular tenha que ser restringida para que isso ocorra. Continue Lendo

Diálogo: O príncipe e o valido – Número 47 – 02/2012 – [2-9]

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Esta história que vou lhes contar foi passada de geração em geração. Alguns duvidam de sua veracidade. No entanto, dizem que o preceptor da conversa jurou pela virgindade de Maria, pelo último fio de cabelo de seu bigode, ser, o relato, verdadeiro. Pela riqueza de detalhes contados por ele, muitos passaram a acreditar. Como minha memória é falha e tal história me contaram quando era criança, pode ser que eu tenha me esquecido de alguns detalhes ou incorra em algum erro. Tenham paciência, terei de usar o recurso à mnemônica para criar esta catarse. Continue Lendo

Cesar Kiraly

Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense.