Sobre otários e vigaristas: perseguindo um tema em John Searle e Edgar Allan Poe – Número 85 – 12/2012 – [324-330]
Wang Li faz passar algumas pranchas por baixo da porta de um quarto fechado. Cada prancha traz impresso um caractere da escrita chinesa e, juntas, formam uma pergunta que pode ser assim traduzida: Quem é Charles Dodgson? José, dois arquivos e um manual estão no quarto. Continue Lendo
Murê – Número 84 – 12/2012 – [322-323]
Murê era uma corruptela de “Samurai” (“Samura”, “Murai”, “Murê”). Ele recebeu esse apelido quando levou um tombo e abriu o queixo. Depois de umas semanas com os fios pretos dos pontos que pareciam uma barbicha rala, nosso colega muído e de olhos puxados havia sido alçado à condição de samurai da turma. Murê, no início, não gostou de ser chamado desse jeito, sobretudo, porque o apelido lembrava o dia do acidente, no qual ele abriu o berreiro e, como se já não bastasse o dolorido do tombo, ainda ficou com fama de chorão. Nosso samurai era um chorão! Abusado como dizem que todo nanico é, Murê tratava logo de desembainhar carradas de xingamentos a quem o chamasse de Samura, Murai, Murê. Continue Lendo
Uma sala de aula é um lugar luxuoso – Número 83 – 12/2012 – [320-321]
Natalia Makarova foi uma exuberante bailarina russa, que fez carreira no nova-iorquino American Ballet Theatre e no londrino Royal Ballet, durante o exílio iniciado anos 1970. Certa vez, Makarova disse que é na sala de aula que o bailarino tem o prazer verdadeiro. Parece contra-intuitivo, já que o que se supõe é que uma bailarina deveria querer o canhão de luz do espetáculo e as flores de reconhecimento ao seu final. Mas o prazer de Natasha, como era tratada pelos amigos, estava em ver o próprio corpo mudar. Ela conhecia o luxo de ter como profissão a possibilidade de presenciar o processo de tornar-se outra pessoa. Para ela, na sala de aula acontecia alguma coisa solitária, mas preciosa. Continue Lendo
Isto não é uma análise do mensalão – Número 82 – 12/2012 – [312-319]
No momento em que toda sociedade brasileira acompanha ativamente o desenrolar dos acontecimentos políticos, fica evidente que não basta apenas estar com a leitura dos jornais em dia para entender o que está ocorrendo. No volume de informações que é veiculado todos os dias é necessário identificar os ingredientes.
Herbert de Souza
Prólogo
Alexis de Tocqueville gostava de comparar a política, em sua forma de apresentação pública, com o teatro. Mas não apenas isso. O teatro, para o escritor francês, é onde se revelará os princípios democráticos dos povos, o começo da democracia e a decadência da aristocracia. Os usos e costumes dos povos democráticos são mais afeitos às paixões dos espetáculos. No dizer de Tocqueville, o lugar onde a platéia é capaz de impor suas leis aos camarotes, porque “querem que falem deles mesmos” (2004, p. 94). Continue Lendo