Ceticismo

Sobre Cabalismo e Filosofia ou Entre Atenas e Jerusalém: Lisboa, Amsterdã, Florença, Recife… – Número 156 – 10/2017 – [104-115]

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Baseado na transcrição da palestra “Introdução ao pensamento de Abraham Cohen de Herrera”, proferida no II SinaCripto, realizado na UFS entre 19 e 21/06/2017.

Y aunque nace tu alegría
viendo a tantos perecer,
sia a muchos lo hiciste ver,
también has de ver tu día.

Si nuestro pecado obliga
a sufrir tanto rigor,
considera que el Señor,
si dissimula, castiga.

Si parece que se olvida
de castigar su enemigo,
es sólo porque el castigo
há de ser más que em la vida.

Si tu arrogancia te alaba
del mal de tantos, advierte,
que así comienza tu muerte
y al outro em ella se acaba.

(João Pinto Delgado, A la salida de Lisboa, circa 1620).

a nau aportará um dia neste cais
vazio sempre mas jamais de passageiros
todos à espera desse algum por tudo incerto
tanto a partida qual também toda chegada
seja amsterdã quem sabe hamburgo ou mesmo o bósforo

ainda recife pode ser constantinopla
onde seremos por demais talvez em rhodes
faremos lá a nossa língua e outras folhagens

(Moacir Amâncio, Matula, 2017, p.23).

Eu queria começar pedindo desculpas porque o título da minha conferência de hoje não diz o que vou fazer aqui. Eu não sabia muito bem o que ia fazer aqui. Só descobri hoje de manhã. E o título é um pouco vago, na verdade, mas o que eu vou fazer aqui é ainda mais vago do que o título.

Pra vocês entenderem um pouco de como a coisa funciona, a pesquisa. Como vocês puderam ouvir aqui na apresentação, o meu trabalho inicial é todo em torno do ceticismo antigo, notadamente a modalidade pirrônica, cujo principal representante é esse autor, Sexto Empírico, que é um médico do séc. II/III d.C. Escreveu uma vasta obra que sobreviveu, e ter sobrevivido é uma exceção para as obras da época. Escreveu em grego e uma das missões de quem trabalha com esse autor – assim eu vejo – é traduzir os textos dele. É o que venho fazendo desde 2011. A relevância disso é que não há textos desse autor traduzidos para o português, apesar de ele ser um dos filósofos mais influentes, cuja leitura é fundacional para aquilo que a gente chama em filosofia de “crise Moderna”, ou Filosofia Moderna, porque os principais autores Modernos que questionavam a tradição Medieval e tentavam estruturar uma nova forma de saber leram Sexto Empírico. Continue Lendo

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Sexto Empírico e Saussure: um diálogo (de mudos?) entre o cético e o linguista – Número 133 – 05/2015 – [39-47]

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É muito cômico assistir aos gracejos sucessivos dos linguistas sobre o ponto de vista de A ou de B, porque esses gracejos parecem supor a posse de uma verdade, e é justamente a absoluta ausência de uma verdade fundamental que caracteriza, até hoje, o linguista.

(Saussure, 2002, p.104).

Sabe-se que, dentre as obras de Sexto Empírico (séc. II d.C.), nossa melhor fonte do ceticismo pirrônico, apenas três sobreviveram: as Hipotiposes pirrônicas (PH), Contra os dogmáticos e Contra os professores – sendo que essas duas últimas foram posteriormente reunidas sob o mesmo título de Adversus Mathematicos (M). Sabe-se, também, que, em Adversus Mathematicos, Sexto Empírico, pode-se dizer, executa seu exercício cético de ir contra não apenas as três partes da filosofia (ou seja, ele vai Contra os Lógicos, Contra os físicos e Contra os éticos), como, também, dispara seu arsenal cético na direção dos professores das artes liberais, aquelas que eram exercidas pelos cidadãos gregos, homens livres. Assim, Sexto Empírico vai contra os gramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, os astrônomos e os músicos. Continue Lendo

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(Volume 10) O suicídio como forma de ação política e social no ceticismo de Montaigne e Hume

Neste artigo, abordamos o tema da morte explorando as dimensões política e social do suicídio nas filosofias céticas de Michel de Montaigne e David Hume. Não pretendemos identificar os condicionantes naturais, sociais e psicológicos do suicídio, mas investigar a centralidade da morte na definição dos limites da soberania, bem como examinar o sentido cético do suicídio como ato de resistência política.

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Diderot e o Ceticismo – Número 129 – 01/2015 – [02-12]

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Obviamente não é tarefa das mais fáceis, e nem poderia mesmo ser, dizer de uma forma um tanto quanto categórica, que Diderot[1] (Langres, 1713 – Paris 1784) está inteiramente embrenhado por um espírito cético. O que nos causa curiosidade é o fato de podermos detectar como alguns preceitos da argumentação cética estão desenvolvidos no pensamento de Diderot desde o início de seu pensamento, ou seja, desde a sua juventude até sua fase madura. Continue Lendo

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