Outubro

O bolo de Harrington ou existe uma teoria republicana da justiça? – Número 77 – 10/2012 – [277-281]

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O problema número cinco da nona Olimpíada Brasileira de Matemática (OBM), em 1987, parece interessante não apenas àqueles afeitos à doutrina, como gostava de dizer um senhor do século XVII, das linhas e figuras:

Tem-se um bolo em forma de prisma triangular, cuja base está em um plano horizontal. Dois indivíduos vão dividir o bolo de acordo com a seguinte regra: o primeiro escolhe um ponto na base superior do bolo e o segundo corta o bolo por um plano vertical à sua escolha, passando, porém, por um ponto escolhido e seleciona para si um dos pedaços em que dividiu o bolo. Qual deve ser a estratégia para o primeiro e qual deve ser a fração do volume do bolo que ele espera obter? (OBM, 1987, p. 45)

Um problema de geometria plana que não necessita de nada além de Os Elementos de Euclides para ser resolvido, o que está longe de ser uma tarefa fácil. Colando do gabarito, lemos: “o problema reduz-se a determinar qual deve ser a estratégia do primeiro para obter maior fração possível da base superior do bolo” (OBM, 1987, p. 46). Apenas com a solução oficial é possível saber o objetivo de cada indivíduo. Continue Lendo

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A Revolução Portuguesa – Número 76 -10/2012 – [274-276]

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Em abril se completaram trinta e oito anos do acontecimento da Revolução Portuguesa ou Revolução dos Cravos, como ficou conhecido o movimento militar que depôs o regime salazarista em Portugal, ditadura que existia há mais de quarenta anos, tendo sido uma das mais longas do mundo ocidental. Uma análise concisa e profunda sobre este movimento e sobre as especificidades do processo de legitimação e institucionalização desta revolução entre abril de 1974 e novembro de 1975 pode ser encontrada em A Revolução Portuguesa de Claudio de Farias Augusto, que foi lançado recentemente, no final de 2011, pela Editora Unesp. Continue Lendo

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Partidos: para quê? – Número 75 – 10/2012 – [263-273]

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A política e o sistema representativo nem sempre se organizaram em termos partidários e a própria existência de partidos, inclusive, foi por muito tempo vista como perniciosa para a unidade nacional e para a busca do “bem comum” (Manin, 1997). Hoje, no entanto, apesar da aparente perda de credibilidade e fragilização dos partidos como instituições mediadoras (Dalton e Wattenberg, 2000), eles seguem como elementos centrais no jogo político. Strøm e Müller (1999) chegam a afirmar que os partidos políticos são as organizações mais importantes na política moderna, sendo poucos os Estados que os dispensam em seus sistemas políticos. O motivo para isso seria o fato de os partidos desempenharem funções que são valiosas para muitos atores políticos. Continue Lendo

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Vinte Anos da Barbárie – Número 74 – 10/2012 – [259-262]

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O sentido de que os seres humanos são capazes de algum tipo de vida superior é parte dos fundamentos de nossa crença de que são objetos adequados de respeito, de que sua vida e integridade são sagradas ou gozam de imunidade e não devem ser atacadas.

(Charles Taylor, As fontes do self, p. 41)

No dia 02 de outubro de 2012 fez vinte anos que cento e onze detentos do presídio Carandiru foram assassinados por policiais. A ação policial decorreu da resposta do governo paulista a uma rebelião de presos. A história é conhecida, retratada em músicas (como em “Diário de um detento” do grupo Racionais MC’s) e pelo cinema. Até hoje não houve condenações pelas mortes ocorridas em Carandiru. Continue Lendo

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