Talvez jamais tenha sido tão apropriada a metáfora da jangada de pedra do Saramago a se despregar a partir dos Pirineus, rumando brutal na direção dos Açores. Lá se ia a península feita de embarcação. É improvável, entretanto, que a Europa mande suas betoneiras em fila para cimentar a jangada ao continente, como ocorreu no romance do escritor português. Pedro Orce, a essa altura já estaria a sentir o chão tremer. Há rumores de que no Chiado e no Castelo de São Jorge já é possível sentir trepidação similar. Mas desta vez nem Joana Carda riscou o chão, nem os cães de Cerbère ladraram, nem Joaquim Sassa atirou uma pedra pesadíssima ao mar. É de uma ilhota mediterrânea que vêm os indícios de que a jangada partirá. Continue Lendo
A Jangada – Número 92 – 03/2013 – [23-25]
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