Setembro

Dogmasmático – Número 112 – 09/2013 – [159-161]

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sketch
Sem título [René Magritte] – 1967.

“O Homem sabe que ele está no tempo por saber de antemão que irá morrer. A morte é a saída do tempo, como se somente á distância o conhecimento fosse possível”.

Georg Picht in Hier und Jetzt, Philosophieren nach Auschwitz und Hiroshima, Tomo I, Stuttgart 1980, p. 14

“Se víssemos bem o que vimos, seria sempre igualmente conhecido; mas o vemos de maneira totalmente diversa do que é. Assim, os verdadeiros filósofos passam a vida a não acreditar no que vêem, e a tentar adivinhar o que não vêem, condição esta, a meu ver, não muito invejável”.

Bernard de Fontenelle in “Diálogos sobre a pluralidade dos mundos”, p. 48

Roçava o indicador nos lábios, de cima a baixo, de um lado para outro, como se aquilo desse algum prazer secreto. A maciez do pomar, para ele, era a mesma quando deslizava sobre as teclas redondas da máquina de escrever ou os botões da camisa. Era uma mania descaracterizada e ausente, na qual nem as extremidades lhe bajulavam o ego. Faltava aquele fazer crer simplificado, aquela aspereza típica da sujeira – não o negrume denso, carregado, mas a sutileza que proporciona deslizamentos, espécie de atrito reduzido entre as partes. Era assim e não de outra forma que se punha a escrever pensamentos, chamuscações de um coração febril de produção por decantação – um modo complexo de uma mesma e única bajulação. Continue Lendo

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O que Sobrou de Junho – Número 111 – 09/2013 – [151-158]

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Though nothing will drive them away / We can be Heroes, just for one day.

– David Bowie, Heroes, 1977.

Talvez estejamos a vivenciar o melhor dos tempos, ainda assim o pior dos tempos, uma idade de sabedoria, mas também de insensatez, uma época de crença e de incredulidade, a estação da Luz e também a estação das Trevas, a primavera da Esperança e o inverno do Desespero. Há tudo à nossa frente, mas também o Nada. Seguimos direto para o Paraíso, porém marchamos ininterruptos à direção oposta[i]. A marcha nasceu direcionada às mais altas aspirações, constantes pedidos por subjetivas mudanças Pro Bono. A oportunidade de algo opaco e amorfo, há muito patologicamente desejado, jaz (ou jazia) a nossa frente, mas, por que não a agarramos? Continue Lendo

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