Dezembro

Desde o Princípio, o Feminino como Obsessão Temática em José Saramago – Número 116 – 12/2013 – [184-192]

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Eu estou inventando mulheres ou, talvez, outra forma de ser mulher.

José Saramago

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Há dois instantes singulares na obra de José Saramago em que uma personagem feminina irrompe a malha textual e passa a ocupar o estágio de ponto cardeal no desenvolvimento da narrativa: em Memorial do convento, com Blimunda e em Ensaio sobre a cegueira, com a mulher do médico. Foi nesse último romance que, movido em saber o porquê uma mulher em meio a uma epidemia que vai solapando um a um com uma estranha cegueira não cega, fui à cata de pensar, em primeiro lugar, que as personagens femininas saramaguianas eram dotadas de uma característica que as faziam singulares na sua obra [1]. O contato com outros trabalhos acadêmicos de pequena extensão sobre essa singularidade deu suporte para observar que a constatação já havia perdido seu ineditismo. E é possível mesmo que outros tenham lido melhor sobre esse tema, mas ainda assim, respeitando as particularidades já sondadas pela crítica, me pareceu ainda necessário cumprir um estudo de acurado fôlego que pudesse servir, se não de preenchimento de uma lacuna bibliográfica em torno da obra do Prêmio Nobel da Literatura Portuguesa, de ponto de partida para se pensar outros trajetos de uma trama tão bem urdida por ele – uma trama sobre o feminino. Continue Lendo

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