Ana Paula El-Jaick

daartepoética – Número 160 – 02/2018 – [12-23]

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Tous les arts sont poésies.
(Racine)

No dia vinte e cinco de agosto de 2017, o professor Rodrigo Brito me convidou para o evento “Marginália Filosófica”, então a acontecer na Universidade Federal de Sergipe. Um evento, disse ele a mim, que se pretende itinerante. Aceitei – sabendo que eu não podia escrever um texto convencional para o evento “Marginália Filosófica”. Eu só poderia escrever um texto marginal:

A poética está incompleta. A Poética de Aristóteles está incompleta. Ou seja: a Poética aristotélica está, para sempre, descomprometida – com a completude; descompromissada com o compromisso de ser completa; desobrigada de dizer tudo. Continue Lendo

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Sexto Empírico e Saussure: um diálogo (de mudos?) entre o cético e o linguista – Número 133 – 05/2015 – [39-47]

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É muito cômico assistir aos gracejos sucessivos dos linguistas sobre o ponto de vista de A ou de B, porque esses gracejos parecem supor a posse de uma verdade, e é justamente a absoluta ausência de uma verdade fundamental que caracteriza, até hoje, o linguista.

(Saussure, 2002, p.104).

Sabe-se que, dentre as obras de Sexto Empírico (séc. II d.C.), nossa melhor fonte do ceticismo pirrônico, apenas três sobreviveram: as Hipotiposes pirrônicas (PH), Contra os dogmáticos e Contra os professores – sendo que essas duas últimas foram posteriormente reunidas sob o mesmo título de Adversus Mathematicos (M). Sabe-se, também, que, em Adversus Mathematicos, Sexto Empírico, pode-se dizer, executa seu exercício cético de ir contra não apenas as três partes da filosofia (ou seja, ele vai Contra os Lógicos, Contra os físicos e Contra os éticos), como, também, dispara seu arsenal cético na direção dos professores das artes liberais, aquelas que eram exercidas pelos cidadãos gregos, homens livres. Assim, Sexto Empírico vai contra os gramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, os astrônomos e os músicos. Continue Lendo

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