2018

Samba: experiência sensória de desaculturamento – Número 161 – 03/2018 – [24-41]

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Performance apresentada no evento Marginália Filosófica no dia de São Miguel (29 de setembro), dois dias depois do das comemorações de Cosme, Damião e Doum, e retrabalhada no mini-curso apresentado na Semana Livre de Filosofia que teve início na dia 20 de novembro, evento em que homenageamos Zumbi dos Palmares. Ambos os eventos ocorreram na UFS no presente ano (2017). A música mencionada no início dessa epígrafe é um ponto da Umbanda em que se pede com o auxílio de tambores-atabaques que Orixás venham iniciar os trabalhos do terreiro.

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Tambor, tambor, vai buscar quem mora longe tambor. Eu vi Oxossi na mata, vi Ogum no Humaitá, meu pai Xangô lá nas pedreiras, ô Iansã, ô Iemanjá. Tambor, tambor…

Povo baiano, povo africano, força divina vem cá vem cá…

Baianíssimo Gil, faz um favor pra mim, manda descer pra ver, pra ouvir, pra lembrar.

Brasil esquentai vossos pandeiros iluminai os terreiros que nós queremos sambar.

Cada paralelepípedo da velha cidade vai se arrepiar ao lembrar.

Mapa e missão de passista

Faremos nossa experiência sensória do lembrar começando da margem de cima, lá do lugar de Orixá (e já os chamamos!), descendo ao centro e voltando à margem por fora, ou seja, depois passaremos ao morro Favela Óca (oca-loca-louca-loka), Favelóka, Sounds, experimentando o infinitamente sambar, depois o fingir amor com dor, depois volteios ao centro da dor sem amor para, já subindo, findar no voltar a guerrear sem fim do embolar sambar o Tio Sam no Samba Rock.

Claro, vivemos a opção de falar sobre o outro lado do mar, sobre o que nem francês entende de tão sem sentido se vem de cá, ou sobre o também sem sentido que nem brasileiro entende de tão esquecido, ficamos com o segundo, decisão louca falar até dos vida loka do Brasil que, a la Thaide e Dj Hum, pode ser um retalhar-colecionar-costurar-colar-balançar-brincalhar-sambar-lembrar, um falar mesmo de tempo ruim de quem se assume marinheiro só, de só marinheiro só no balanço loco do navio de cá, que balança no mar-terreiro-céu de cá, cá onde algo somos, onde fazemos missão. Chama Orixá! Convidemos Rosa Maria! Grita aí os Dimas! Queremos ver e ouvir Anastácia dar sua risada! Vamos espectrar! Continue Lendo

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daartepoética – Número 160 – 02/2018 – [12-23]

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Tous les arts sont poésies.
(Racine)

No dia vinte e cinco de agosto de 2017, o professor Rodrigo Brito me convidou para o evento “Marginália Filosófica”, então a acontecer na Universidade Federal de Sergipe. Um evento, disse ele a mim, que se pretende itinerante. Aceitei – sabendo que eu não podia escrever um texto convencional para o evento “Marginália Filosófica”. Eu só poderia escrever um texto marginal:

A poética está incompleta. A Poética de Aristóteles está incompleta. Ou seja: a Poética aristotélica está, para sempre, descomprometida – com a completude; descompromissada com o compromisso de ser completa; desobrigada de dizer tudo. Continue Lendo

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A Relatividade Essencial – Número 159 – 01/2018 – [02-11]

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A noção do relativo é essencial a céticos e relativistas. No que concerne à sképsis pirrônica, Sexto Empírico o demonstra nas Hipotiposes Pirrônicas em pelo menos dois lugares: no oitavo “modo” de Enesidemo e na exposição dos cinco modos de Agripa. No oitavo modo Sexto diz ter estabelecido a relatividade de todas as coisas, o que ele toma como condição para poder concluir que somos incapazes de afirmar qual é a natureza ou a essência delas, isto é, o que cada uma é independentemente dos seres que procuram conhecê-las. Nós só estamos, nessa medida, autorizados a discorrer sobre o aparecer delas, o que explicita seu relacionar-se a nós, sua relatividade. Ou como Sexto prefere apresentar essa consideração, nos Modos de Agripa, tanto coisas sensíveis quanto objetos de pensamento são relativos àqueles que têm as impressões ou que desenvolvem alguma atividade intelectual a seu respeito. Continue Lendo

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