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A Rosa Amarelo-Púrpura – Número 79 – 11/2012 – [305-308]

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“A Primeira e Única

Ela, a cujos poemas eram endereçáveis; ela,cuja importância é notável, que não escreve poemas apesar de servir como significativo poema ao poeta – eu a conheço. Se alguém a lança gracejos, fica atônita. Eu já declamei para ela, mas nada que me satisfizesse. Ela me enxotou; o que fez com que sorrisse, alegremente, como se ela tivesse me dado uma noite com ela, daquelas que causam arrepios no poeta, porque até então era permitido a ele somente imaginar suas pernas. Depois disso, eu jamais amarei novamente. Ela fez de mim uma criança que se maravilha com a terra, é submetida a belas instruções, e reverencia a Deus. Os sapatinhos não são tão charmosos assim. Mas eu amo o jeito como ela brinca com o lencinho. Eu não tenho permissão para vê-la novamente, e ainda assim, estou feliz. Com ela, o meu comportamento era vergonhoso, pois em sua presença eu tremia,apesar de pretender me mostrar seguro de si. Mas terminei tremendo por causa da idiotice do amor, que muito me irritou. Ainda assim, longe dela, eu a acariciei, brinquei com ela, dei cambalhotas como um lunático, um menino bobo. Por quatro anos eu poderia ter sido capaz de esquecê-la, mas tudo voltava de novo. A lembrança dela era encantadora. Eu não fazia ideia do poder que uma garota tinha. Toda a fidelidade, tudo que era bom em mim não era nada páreo às vestes da Primeira e Única. Eu estou animado, como se estivesse diante do início da manhã, apesar de ser meia-noite. Eu escrevo isto, como se estivesse dando para ninguém ler.” Continue Lendo

Cesar Kiraly

Professor de Estética e Teoria Política no Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Fluminense.