Viveremos e Venceremos! Quando a razão populista visitou Caracas – Número 88 – 03/2013 – [08-18]
Quem nunca leu um livro e passou pela mágica experiência de reconhecer nele um espelho para o mundo ? O delicioso momento em que o universo irredutível, caótico e amorfo é amarrado por uma cadeia causal que o domestica e torna cristalino, simples e previsível. Que alívio sentimos nesse instante em que um conjunto infinito de significados e possibilidades se reduzem a uma explicação cabal. Infelizmente, ele dura pouco, sendo sucedido por um sentimento de torpor provocado pelo desabamento acachapante da realidade, que passa a parecer ainda mais insondável. Em seguida, voltamos a sentir, a princípio ainda com mais intensidade, a dor da ignorância, da incompreensão e da dúvida, que volta a dar o tom de nossas comezinhas reflexões. Continue Lendo
Consolatio a Aaron Swartz ou Ensaio sobre Nosso Desarranjo Civilizacional – Número 87 – 02/2013 – [02-07]
I
“Só a Morte desperta os nossos sentimentos” (CAMUS, 1956, p.23), e, provavelmente, apenas o falecimento de alguém que muito fez e ainda tinha a oferecer, pode causar algum desconforto em nosso sedentarismo moral e institucional. É assim que funciona com mártires, sejam religiosos ou políticos: uma figura heroica padece na tentativa de alcançar um objetivo maior que si mesma e cujos resultados concernem à determinada coletividade. Continue Lendo