Este Breviário em PDF
Começo a escrever na noite de sexta-feira anterior à Marcha da Liberdade marcada para a avenida Paulista, 28 de maio – dia que no futuro talvez seja nome de rua. Provavelmente só vou terminar de manhã, logo antes de partir para a referida marcha. Aliás, bem disse alguém por aí: não se deveria dizer “marcha”, mas alguma outra coisa, porque a liberdade não marcha, ela dança. (Voltaremos a isso.) Sábias palavras.
É bem sabido que a Marcha da Liberdade foi convocada em reação à violência policial com que os aparelhos de poder receberam a Marcha da Maconha, no mesmo lugar, na última semana. Não estive nessa marcha, primeiro porque estava trabalhando. Mas também porque, não sendo consumidor da erva, deixo a quem de direito fazer valer sua voz e fico de fora, apoiando a iniciativa pelo seu valor democrático. E digo valor democrático com toda a ênfase que seja necessária: faz parte do conceito de democracia que possa haver manifestações pela legalização de coisas ilegais. A democracia é o regime onde as coisas se fazem às claras. No meu modo de ver, e não estou tentando insinuar nenhum tipo de comparação com a maconha, isso vale até para o neonazismo (a não ser quando parte para a agressão) e outras coisas revoltantes: antes ver acontecendo à nossa frente, a tempo de reagir, do que ser surpreendido quando ele toma a sociedade como um todo de assalto. Continue Lendo