Junho

Passagens Atlânticas de Leandra Lambert – Número 150 – 06/2017 – [62-64]

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incapaz de não se expressar em pedra
as palavras de pedra ulceram a boca
e no idioma pedra se fala doloroso

João Cabral de Melo Neto in: _ A Educação pela Pedra

1. Esta exposição foi pensada para ser vista imersa em textura sonora. Entre cortes de composição musical e mais os rumores confusos da vida comum. A questão é a da continuidade nem sempre harmônica entre o som e a imagem. Daí Lambert montar usando ruídos como pequenos átomos a grudarem nas imagens e nos objetos como o faz a luminescência. Por isso deve o contemplador se colocar em tal passividade, atendente aos grânulos de som a pousarem sobre o arco de fotografias e objetos que se desenha diante dos olhos. Continue Lendo

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Quinhentos Anos dos Discursos sobre a Primeira Década de Tito Lívio, lidos daqui: ainda sobre a questão da atualidade – Número 149 – 06/2017 – [58-61]

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– se del male è lecito dire bene –

Machiavelli, Il Principe, VIII

Em 2013, durante as comemorações dos quinhentos anos da escrita de O Príncipe, de Maquiavel, perguntaram, em longa entrevista realizada para os festejos, a Gennaro Sasso, um dos mais importantes intérpretes de Maquiavel, sobre a atualidade da obra. Ele foi peremptório: “Não há nenhuma”. O estudioso discorre então sobre as divergências entre os conceitos contidos no texto e o mundo político atual, revelando, por exemplo, que, para um americano, principado misto não quer dizer nada, ou que o principado civil não determina e sequer indica qual seja o conteúdo da civilidade ou da cidadania. Em suma, “não é atual”. Relativamente às questões de comportamento político – se é melhor ser amado ou temido, se se deve manter a palavra dada etc. – não se trata do príncipe propriamente, mas antes de questões humanas. Qualquer pessoa atenta a esta fala esperaria que na sequência o intérprete desse a esperada guinada na resposta inicial para mostrar então a atualidade de O Príncipe. Decepcionados, os ouvintes precisariam refletir sobre no que consiste as tais questões humanas, as condições da política, do realismo, ou seja, da reinterpretação de Maquiavel das condições históricas vividas e objetivamente apreendidas. Continue Lendo

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