Preconceito, tradição e autoridade no debate Gadamer-Habermas – Número 137 – 09/2015 – [71-80]

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São muitas as possibilidades de compreensão ou apropriação teórica do debate que se configura a partir de 1967 entre Hans-Georg Gadamer e Jürgen Habermas, quando o primeiro publica seu Verdade e Método. É a partir de então que uma sucessão de críticas, contribuições, respostas e réplicas que se seguiram entre ambos os filósofos deram o tom do debate sobre o qual venho aqui fazer uma breve recuperação e propor algumas questões. Continue Lendo

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O caso da visita dos senadores – Número 136 – 08/2015 – [64-70]

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Ao longo da última década do século XX, na América Latina, a adesão à proposta neoliberal de redução dos gastos públicos, se traduziu, no despontar do século XXI, em uma conjuntura de grave crise econômica e política[1]. Nesse contexto, a vitória eleitoral de partidos de esquerda em vários países sul-americanos[2]– sobretudo Argentina (2003), Bolívia (2005), e Equador (2006) – fez surgir a percepção de que o proceso de cambio seria exportado para outros países da região. Aos olhos das elites econômicas sul-americanas, isso representava uma possível ameaça aos fluxos de capitais financeiros na região, tendo em vista uma conjuntura política instável e radicalizada, passível de afugentar investidores internacionais. Continue Lendo

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Retóricas agudas: violência urbana e corrosão do humano – Número 135 – 07/2015 – [57-62]

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Preâmbulo

Custo a aderir a qualquer leitura sobre as conversas nas redes sociais, postagens, compartilhamentos e outras formas de manifestação nesses espaços virtuais[1] como algo promissor; dada a forma, em geral, irrefletida e bidimensional de tais publicações. Acontece que, mesmo muito vacilante em relação a esse movimento, aventuro-me nesse breviário a ter como base uma troca de mensagens que travei recentemente em minha página virtual. Faço isso como uma forma de purgar uma espécie de toxidade que permaneceu depois da discussão ferrenha. Um envenenamento pelo contato com a agudeza[2] retórica que envolve formas de argumentação que não têm nenhum constrangimento em se afastar das prerrogativas do reconhecimento da humanidade do outro. Continue Lendo

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Sra. Dalloway: um breve ensaio – Número 134 – 06/2015 – [48-56]

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Introdução

Caso fossemos inserir as obras de Virginia Woolf em uma corrente literária, qual poderia ser? Seria possível classificarmos em algum lugar comum os modelos de Woolf, estes que chegam a extrapolar as dimensões de um mero romance?

Certa vez, Ernest Heminway escreveu em um de seus livros:

Todos os bons livros se parecem como se eles fossem mais reais do que se tivessem acontecido de verdade.[1]

Decerto, as obras literárias de Virgínia Woolf, em especial a obra a ser examinada (Sra. Dalloway), figuram na categoria “bons livros”. Não há como negar isto na precisão como ela desnuda seus personagens, digo, como eles se auto-desnudam por meio dela. Deste modo, Woolf tem o papel apenas de agenciar os monólogos interiores de cada um, polarizando qualidades e vícios com um poder de observação aguda tão evidente como se os pensamentos desvelassem por si suas próprias características. Continue Lendo

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Sexto Empírico e Saussure: um diálogo (de mudos?) entre o cético e o linguista – Número 133 – 05/2015 – [39-47]

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É muito cômico assistir aos gracejos sucessivos dos linguistas sobre o ponto de vista de A ou de B, porque esses gracejos parecem supor a posse de uma verdade, e é justamente a absoluta ausência de uma verdade fundamental que caracteriza, até hoje, o linguista.

(Saussure, 2002, p.104).

Sabe-se que, dentre as obras de Sexto Empírico (séc. II d.C.), nossa melhor fonte do ceticismo pirrônico, apenas três sobreviveram: as Hipotiposes pirrônicas (PH), Contra os dogmáticos e Contra os professores – sendo que essas duas últimas foram posteriormente reunidas sob o mesmo título de Adversus Mathematicos (M). Sabe-se, também, que, em Adversus Mathematicos, Sexto Empírico, pode-se dizer, executa seu exercício cético de ir contra não apenas as três partes da filosofia (ou seja, ele vai Contra os Lógicos, Contra os físicos e Contra os éticos), como, também, dispara seu arsenal cético na direção dos professores das artes liberais, aquelas que eram exercidas pelos cidadãos gregos, homens livres. Assim, Sexto Empírico vai contra os gramáticos, os retóricos, os geômetras, os aritméticos, os astrônomos e os músicos. Continue Lendo

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O Sistema Eleitoral Misto Alemão e o Mito do Melhor dos Mundos – Número 132 – 04/2015 – [25-38]

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O sistema eleitoral misto, denominado como “mixed-member” na literatura internacional especializada e chamado por políticos e jornalistas de “distrital-misto”[1], combina representação proporcional com majoritária para a eleição parlamentar. Até os anos 1980, só era adotado pela Alemanha e pelo México (Nicolau, 2004), mas tornou-se verdadeira moda na década de 1990 e começo dos anos 2000, aderindo a ele países tão díspares como Itália, Japão, Nova Zelândia, Venezuela, Bolívia, Hungria, Rússia, Coreia do Sul, Taiwan, Tailândia, Armênia, Albânia, Croácia, Ucrânia e Lituânia (Katz, 2005, p. 74; Shugart & Wattenberg, 2001, p. 2; Nicolau, 2004, p. 65). Continue Lendo

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Nanook – Número 131 – 03/2015 – [19-24]

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O médico e a mãe correm para fora do consultório e no hall de entrada encontram a destruição e o caos.

Mesas e cadeiras arremessadas se partem nas paredes. Os vidros das janelas se estilhaçam em muitos pequenos pedaços. O velho aparelho de televisão explode enquanto cacos de vidro e pedaços de plástico voam por todo lado. Pacientes, parentes e funcionários procuram se esconder em qualquer buraco. Continue Lendo

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(Volume 10) O suicídio como forma de ação política e social no ceticismo de Montaigne e Hume

Neste artigo, abordamos o tema da morte explorando as dimensões política e social do suicídio nas filosofias céticas de Michel de Montaigne e David Hume. Não pretendemos identificar os condicionantes naturais, sociais e psicológicos do suicídio, mas investigar a centralidade da morte na definição dos limites da soberania, bem como examinar o sentido cético do suicídio como ato de resistência política.

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Birdman ou as Dinâmicas da Aceitação – Número 130 – 02/2015 – [13-18]

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Não é fácil aceitar uma piada. Uma piada, para ter que ser aceita, precisa fazer doer. Se não dói é porque não convocou, então a sua presença é indiferente. Há o piadista inofensivo, cujas graças não costumam passar pela aceitação de ninguém. Este opera por intervenções, aclara um sentido, força um trocadilho, e, como todos, tudo o que ele quer é ser aceito. Mas qual a diferença entre este e aquele, cuja piada é difícil de aceitar? Ora, este que quer apenas ser aceito, pouco se importa com a piada, tudo o que ele quer, bem, é ser aceito; se fosse uma negociação, mediante o recebimento da aceitação que deseja, ele prontamente largaria a piada. O outro não, e este é que é o problema, posto querer ser aceito com a piada. Ele quer ser aceito, a piada é parte de quem ele é, e, numa negociação, não sairá vivo, se tiver que largá-la. Continue Lendo

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